quinta-feira, 13 de março de 2014

* No MA casa onde morou autor de O Cortiço pode virar estacionamento


NORDESTE // SÃO LUÍS

Publicado em 12.03.2014, às 18h31

Do NE10


O sobrado pertence a particulares mas encontra-se abandonado
Foto: IHGM/divulgação
O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) denunciou nesta quarta-feira (12), no blog do órgão, que a casa onde morou o poeta brasileiro Aluísio de Azevedo, autor de obras primas como 'O Cortiço' e 'O Mulato', em São Luís, deverá ser transformada em um estacionamento particular. O caso também foi abordado na fanpage do instituto, onde a notícia ultrapassou 40 comentários, todos desaprovando a situação de abandono em que o imóvel se encontra.

No texto publicado e assinado por Euges Lima, professor de história e vice-presidente do IHGM, o estudioso critica a falta de cuidados com o imóvel localizado na esquina entre as ruas do Sol e da Mangueira, Centro da capital maranhense. "Além do atual estado avançado de deterioração do imóvel, existe ainda a suspeita de que a casa estaria sendo preparada para em breve servir de estacionamento, prática que vem ocorrendo sistematicamente nos últimos anos no Centro de São Luís, onde casarões, moradas inteiras e meias moradas de propriedade de particulares vão sendo demolidas ou desfiguradas", escreveu.

Segundo Eudes Lima, o sobrado foi construído no século 19 e deveria ter sido tombado ou transformado em um museu, uma vez que a casa fica numa cidade que é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Hoje a casa pertence a particulares e não ao poder público.
O AUTOR - Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em 14 de abril de 1857 em São Luís. Em 1881 publicou o livro “O mulato”, que daria ao autor o título de “precursor do Naturalismo no Brasil”. Essa obra foi um verdadeiro escândalo para a época, pois incitou polêmicas, como o racismo e a corrupção dos padres. Aluísio Azevedo abandonou a carreira literária quando passou em um concurso e se tornou diplomata em 1895. O autor morreu em Buenos Aires, na Argentina, quando exercia o cargo de agente consular, em 21 de janeiro de 1913.

OBRAS -
 Uma lágrima de mulher (1879); Memórias de um condenado (ou A condessa Vésper) (1882); Mistério da Tijuca (ou Girândola de amores) (1882);Filomena Borges (1884); A mortalha de Alzira (1894). Romances naturalistas: O mulato (1881); Casa de pensão (1884); O homem (1887); O cortiço (1890); O coruja (1890).

quinta-feira, 6 de março de 2014

* Civilização capitalista é um trem suicida rumo ao abismo

Em entrevista, pensador marxista discorre sobre a crítica ao capitalismo de Walter Benjamin e sua relação com a atualidade
“O capitalismo acaba com o que é encantamento, dissolvendo tudo em prol da mercadoria, do dinheiro, do mercado, das coisas prosaicas”, diz Löwy (Foto: João Alexandre Peschanski)
Por Gabriel Fabri
Considerado um dos maiores pesquisadores em Karl Marx e Walter Benjamin, entre outros autores, Michael Löwy esteve no Brasil para divulgar o seu novo livro, “O Capitalismo como Religião” (Boitempo Editorial), que reúne escritos de Benjamin, das mais variadas fases de sua carreira. Walter Benjamin foi um dos mais importantes teóricos da Escola de Frankfurt.
 Em entrevista à Revista Fórum, Löwy explica a relação entre capitalismo e religião na obra de Walter Benjamin, e também discorre sobre questões como o sistema capitalista hoje e o pensamento do romantismo e do surrealismo. Confira:
Para Löwy, a marcha para o abismo continua, mas tem uma forma diferente. Na época de Benjamin, era a marcha à guerra, hoje em dia é a corrida para a catástrofe ecológica (Foto: Artur Renzo)
Fórum – Como a questão do capitalismo como religião está inserida na obra do Benjamin? Ela a permeia? De que maneira?
Michael Löwy
 – Eu não diria que ela permeia a obra do Benjamin. “O Capitalismo como Religião” é um texto de um momento muito específico e não é uma questão que ele voltou a discutir como tal. Em 1921, quando ele o escreveu, ele ainda não era marxista. É um escrito mais de inspiração romântico-libertária, eu diria. Quando ele descobre o marxismo, ele vai retomar a questão, mas sobre um ponto de vista um pouco diferente, quando ele usa o conceito do fetichismo da mercadoria de Marx. Esse conceito tem uma dimensão religiosa, por que o fetichismo é uma forma de culto, de idolatria. Ele se refere à Bolsa de Paris, por exemplo, como “templo da mercadoria”. E usa expressões relacionadas com o tema do fetichismo que, metaforicamente, tem a ver com a religião.
Fórum – E qual seria o tema que atravessa toda obra de Benjamin?
Michael Löwy
 – O tema que atravessa toda sua obra é a crítica ao capitalismo. É uma crítica feroz, que não é necessariamente marxista, no começo não é. Não só ao capitalismo no sentido econômico, mas como civilização – moderna, industrial, capitalista, burguesa. É uma crítica de inspiração romântica a essa civilização. Esse é o fio condutor dessa coletânea de textos.
Fórum – Na orelha do livro, Maria Rita Kehl afirma que a “unidade dos textos” selecionados se explica a partir do ensaio-título escolhido para a coletânia. Como você pensa essa relação?
Michael Löwy
 – Segundo a Maria Rita Kehl, o texto ilumina o sentido da melancolia benjaminiana. Até certo ponto, eu diria que sim. Esse texto fala que o capitalismo conduz ao desespero. Tal desespero suscita a melancolia, o sentimento de que não há saída, de que nada se pode fazer. Eu acho que a melancolia de Benjamin tem a ver com esse desespero, mas não é uma melancolia resignada, ela é ativa. Por exemplo, ele tem um ensaio de 1929 sobre surrealismo que fala da importância do pessimismo para a revolução. Ele diz que o capitalismo pretende nos fechar numa espécie de jaula de ferro, mas que temos que procurar uma saída e, assim, ele analisa várias hipóteses de como sair. Então é evidente nessa busca que Benjamin não se dá por satisfeito com o desespero do capitalismo.
Fórum – O texto “o capitalismo como religião” é uma feroz crítica a esse sistema. O que torna esse texto atual?
Michael Löwy –
 Muito do que o Benjamin diz corresponde de maneira surpreendente ao funcionamento atual do capitalismo. Realmente há algo de um culto religioso na maneira como os representantes do sistema capitalista, seus economistas e os seus meios de comunicação se referem à propriedade privada, ao mercado, à bolsa… Mas talvez a coisa mais surpreendente e atual é quando Benjamin fala da ambivalência, na língua alemã, do conceito de Schuld, que é ao mesmo tempo “dívida” e “culpa”. Ele acha que essa coincidência é diabólica e que isso está no coração da religião capitalista: a dívida é uma culpa, quem está endividado é culpado. O capitalista está sempre em dívida com o seu capital, o pobre está sempre em dívida porque não tem dinheiro, então todos somos endividados, todos somos culpados. Hoje em dia nós vemos na Europa um discurso teológico de que todos os países que estão em crise estão por culpa deles, porque não trabalham, são preguiçosos, esbanjaram dinheiro. Todo um discurso moralista querendo culpabilizar esses países, quando sabemos que a dívida resulta da lógica do próprio sistema capitalista, de sua irracionalidade profunda.
Fórum – Faz sentido pensar numa adoração ao capitalismo agora que ele vem sendo tão contestado com a crise econômica?
Michael Löwy
 – A crise tremenda do capitalismo atual, a maior sem dúvida depois de 1929, intensifica ao máximo o desespero provocado pela religião capitalista, a tal grau que o desespero se transforma em alguma outra coisa. As pessoas se suicidam ou buscam algum bode expiatório, como os imigrantes, por exemplo. Todavia, para alguns, o desespero leva a colocar em questão a religião capitalista, e mesmo a rejeitá-la. Então, ele pode levar à raiva e à indignação, sendo essa última o traço comum de todos os movimentos de protesto que surgiram, da Primavera Árabe às jornadas de junho no Brasil. Implicitamente ou explicitamente, encontramos também uma rejeição à religião capitalista. Mas em suma, esses movimentos são o desespero transformado em raiva e indignação, o que é, evidentemente, um grande passo à frente.
Fórum – Benjamin pensou a modernidade do século XIX-XX. Quais aspectos dessa modernidade continuam até hoje?
Michael Löwy
 – A modernidade capitalista está baseada no princípio da mudança permanente, ela nunca é a mesma, mudando constantemente, de um minuto para o outro. Tudo muda, mas, como diria o famoso romance “O Gattopardo”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, tudo muda para ficar a mesma coisa: a matriz econômica, social, política e cultural do sistema permanece. A civilização capitalista-industrial, com suas características analisadas por Marx e retomadas por Walter Benjamin, continua igual.
Fórum – Quais são as principais críticas de Benjamin ao mundo “civilizado” do século XX?
Michael Löwy
 – Ele aponta para as potencialidades destrutoras da civilização capitalista do século XX. Então rejeita a ideia de progresso, acha uma mistificação a ideia de que o capitalismo nesse século é mais civilizado ou mais humano do que no passado. Ele tem essa percepção de que o progresso capitalista vai acumulando catástrofes e que o fascismo é algo que corresponde perfeitamente a uma dinâmica possível do sistema: o fascismo e o nazismo são vistos como a expressão mais dramática da barbárie potencial do capitalismo. Assim, Benjamin alerta para os perigos de catástrofe que estão no bojo do sistema capitalista. Um dos elementos apontados é o uso da tecnologia científica mais avançada para a guerra. O texto “As armas do Futuro”, presente na antologia, fala sobre a arma química, por exemplo. Embora Benjamin fosse o mais pessimista e o mais lúcido sobre os perigos da tecnologia a serviço da guerra, nem ele conseguiu prever a arma atômica.
Fórum – O senhor afirma que a crítica de Benjamin é de inspiração romântica. Como se dá essa relação do Benjamin com o romantismo?
Michael Löwy
 – Nos manuais, se apresenta o romantismo como uma escola literária do século XIX. É muito mais do que isso, pois está presente na poesia, na arte, na música, na teoria política, na religião, na econômia. O romantismo é uma visão do mundo, que atravessa todos os campos da cultura. Partindo de um texto de Marx, o romantismo é definido como uma crítica da civilização capitalista em nome do passado pré-capitalista. Acho que é exatamente isso, o romantismo é um protesto cultural contra a civilização moderna-industrial em nome de um passado idealizado. Ele surge no século XIII e existe até o século XXI, o que Marx já tinha previsto, dizendo que, enquanto existir o capitalismo, o romantismo será a sua sombra.
O romantismo possui duas vertentes principais. Uma quer restaurar o passado, então ela é conservadora, reacionária. A outra quer uma volta pelo passado, em direção a um futuro utópico, revolucionário. Nessa segunda vertente figura o Jean-Jacques Rousseau, pois ele fala do selvagem como livre, em contraponto ao homem da sociedade moderna que é um escravo, mas o teórico não quer voltar a viver na floresta, e sim restaurar essa liberdade perdida numa sociedade futura, democrática. Essa dialética romântica entre passado e futuro já está em Rousseau e continua ao longo dos séculos XIX, nos socialistas utópicos, e XX, nos surrealistas, entre outras correntes do pensamento. O Walter Benjamin é um exemplo dessa atitude romântico-revolucionária. Ele vai utilizar a teologia e a religião que vem do passado como arma para uma luta revolucionária contra uma civilização burguesa.
Fórum – Como a visão romântica permanece até hoje?
Michael Löwy
 – Você vê o romantismo reacionário nas pessoas que querem restaurar alguns valores aristocráticos e tradicionalismos, como, por exemplo, as correntes religiosas fundamentalistas, que querem resgatar a religião como era no passado. Esse fundamentalismo, todavia, nem sempre é critico do capitalismo, então, nesse caso, não é romantismo, e sim uma variante da religião capitalista. Mas existem formas religiosas retrógradas que rejeitam a civilização moderna, então elas têm essa forma de protesto reacionário.
Há também as formas românticas utópicas ou revolucionárias. No campo religioso, por exemplo, a Teologia da Libertação é crítica à civilização capitalista e se refere a alguns valores do passado, a uma imagem idealizada do cristianismo nas origens e à ideia de que existem tradições comunitárias populares que o capitalismo vai destruindo, mas que devem ser resgatadas. Então eles querem restaurar o espírito comunitário que existiu no passado, mas sem voltar a ele, criando algo novo como, por exemplo, a comunidade de base, que incorpora aspectos da modernidade, entre eles a adesão individual das pessoas.
Fórum – De que maneira as reflexões do romantismo se prolongam até o surrealismo?
Michael Löwy
 – Um dos elementos do protesto romântico contra a civilização é aquilo que o Max Weber chama de “desencantamento do mundo”. O capitalismo acaba com o que é encantamento, dissolvendo tudo em prol da mercadoria, do dinheiro, do mercado, das coisas prosaicas. O romantismo protesta contra isso, sendo uma tentativa de reencantamento do mundo. No caso do surrealismo, essa tentativa tem uma forma revolucionária, pois eles querem reencantar o mundo por meio da poesia, do sonho, do acaso e da utopia, e não por meio da restauração do passado. André Breton, fundador do surrealismo, vê o movimento como uma continuação do romantismo, quando diz que o seu movimento é a “cauda do cometa romântico”. Os surrealistas, além de críticos do sistema, também criticavam a civilização ocidental, sendo violentamente anticolonialistas, pois o colonialismo é a tentativa de impor essa civilização aos povos da periferia. Assim, um dos primeiros atos políticos do surrealismo foi o apoio a um levante árabe no Marrocos, reprimido pelo colonialismo francês. Já em 1925, logo quando é fundado o movimento surrealista, eles vão apoiar essa revolta anticolonial.
Fórum – Benjamin achava que só uma revolução podia interromper a marcha da sociedade burguesa rumo ao abismo. Essa marcha continua?
Michael Löwy
 – A marcha para o abismo continua, mas tem uma forma diferente. Na época de Benjamin, era a marcha à guerra, à II Guerra Mundial. Hoje em dia a mais nítida é a corrida, não “marcha”, para o abismo, que é a catástrofe ecológica. A marcha vai devagar, mas a corrida do trem vai rápido. É evidente que a civilização capitalista industrial está indo como um trem suicida, com rapidez crescente, em direção a esse abismo, o que é uma catástrofe sem procedentes na história humana. Isso está ligado à dinâmica própria do capitalismo, de expansão ilimitada. Mais uma vez se coloca a urgência do que o Benjamin dizia: precisamos de uma revolução, isso é, puxar os freios desse trem louco.
Ficha técnica 
Título: O capitalismo como religião
Autor: Walter Benjamin
Organizador: Michael Löwy
Orelha: Maria Rita Kehl
Quarta capa: Jeanne Marie Gagnebin
Páginas: 192
ISBN: 978-85-7559-329-5
Preço: R$ 42,00
Coleção: Marxismo e literatura
Editora: Boitempo

quarta-feira, 5 de março de 2014

* Ariano reinou no Galo

Não creio que o Recife, berço de tantas personalidades literárias e culturais, ao longo de sua história de louvações e merecimentos a seus filhos ilustres ou a outros também notáveis, não nascidos aqui, como é o caso do dramaturgo e escritor Ariano Suassuna, tenha aberto o seu coração com tamanha intensidade de simpatia e acolhimento como a esse grande homenageado do Galo da Madrugada, no sábado de Carnaval. Esse foi o sábado talvez mais memorável na vida de Ariano, depois das glórias literárias conquistadas por ele, não tendo sido diferente para os mais de um milhão e meio de foliões que assistiram, como eu, ao desfile carnavalesco em sua homenagem, à reconstrução artística da sua obra literária e seus personagens mundialmente conhecidos e famosos, por meio de carros alegóricos que deveriam ser preservados após o Carnaval. Assim como deveriam ser guardados para mostra permanente outros trabalhos de alegoria carnavalesca em sua homenagem, feitos anteriormente no Recife e por escolas de samba famosas do Rio de Janeiro. 
Tenho para mim que um bom espaço para preservar esse acervo artístico valioso seria por certo a Fundação de Cultura Pedra do Reino, um castelo de verdade construído na cidade pernambucana de São José Belmonte por um jovem empresário, totalmente dedicado à vida e à obra literária de Ariano, que deveria ser conhecido e mais divulgado, tamanho o esforço do seu idealizador. Assim como o interesse da instituição em guardar parte da biblioteca pessoal de Ariano, os livros da vida de Ariano. 
Temo muito em falar de mitos, a começar pelos mitos gregos, tema do meu interesse intelectual mais recente, desde quando voltei da Grécia, em 2012. Os elementos simbólicos e sobrenaturais para explicar a realidade, o mundo, a existência. Não se faz mitos, nenhum deles foi feito, nasceram mito, cresceram sob o olhar dos deuses e se ampliaram mito, em audiência com a eternidade, que inspira confiança e fidelidade. Desconfio das unanimidades: Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, José Lins do Rego, entre tantas celebridades brasileiras, não foram unanimidades, infelizmente, por determinada crítica desinformada, caolha, comprometida, unilateral. Nada perderam esses nomes, se eternizaram. Raros, no entanto, tiveram o aplauso caloroso das multidões. O delírio da multidão. Ariano Suassuna e sua capacidade de júbilo, é um deles. 
Nesse sábado de Carnaval, para mim tão feliz, inesquecível e alegre, houve momento de incerteza para meus ouvidos: O delírio todo dos foliões que ouvi de perto era para o Galo ou por esse eterno jovem, imaginoso, criativo, resistente, desafiador, alegre e brincalhão Ariano Suassuna, o talvez mais amado escritor brasileiro dos nossos dias? O autor que reúne a superlativa unanimidade da crítica. A mesma exaltação ao Galo era repetida em louvor a Ariano. Se tivesse saído do camarote, seria carregado nos braços como deus primordial do maior bloco de carnaval do mundo. Compreendi mais uma vez, nesse dia, que o livro vai sobreviver, por causa dele a multidão tomou conta de minha cidade num belo dia de Carnaval. Seja qual for a forma do livro, ele vai sobreviver.
Ariano é singular.O seu reino de criação e imaginação se eternizará. Evoé, Ariano!


Antônio Campos
Advogado, Escritor, Membro da Academia Pernambucana de Letras e Curador da Fliporto.
camposad@campos advogados.com.br

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

* Hoje é o aniversário da União Brasileira de Escritores

UBE festeja 56º aniversário. Esta no ar A VOZ DO ESCRITOR. O endereço éhttp://www.ube.br.com/

CONVITE

O presidente da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES-UBE, escritor Alexandre Santos, tem o prazer de convidar Vossa Senhoria e família, para a comemoração do 56º aniversário de fundação da UBE. Na ocasião a congregação da Ordem do MéritoLiterário JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO, se reunirá para admitir o escritor LÚCIO ROBERTO FERREIRA nos quadros da congregação.

Local – Sede da UBE, Rua Santana nº 202, Casa Forte, Recife
Data – 27 de fevereiro de 2014
Horário – das 19 às 21 horas

* Acadêmico Sergio Paulo Rouanet faz na ABL a conferência de abertura do ciclo "Caminhos da crítica"

O ensaísta, filósofo, tradutor, diplomata e Acadêmico Sergio Paulo Rouanet fará a palestra de abertura do ciclo “Caminhos da crítica”, sob coordenação do Acadêmico e poeta Ivan Junqueira, denominada “Caminhos e descaminhos da crítica psicanalítica sobre Machado de Assis”. O evento está programado para terça-feira, dia 11 de março, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca. O ciclo terá mais duas conferências: dia 18, “A crítica literária e seus descontentes”, com o professor João Cezar de Castro Rocha; e dia 25, “Leitura de Infância, de Graciliano Ramos”, com o Acadêmico Alfredo Bosi.
O Coordenador geral dos ciclos deste ano é o Acadêmico Antonio Carlos Secchin, Primeiro-Secretário da ABL.
Saiba mais
O palestrante
Sergio Paulo Rouanet é o oitavo ocupante da Cadeira nº 13 da ABL, eleito em 23 de abril de 1992. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-RJ, fez o curso de preparação à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, do Itamarati.
Fez cursos de pós-graduação em economia, ciências políticas e filosofia respectivamente na George Washington University, na Georgetown University e na New School for Social Research.
Doutor em Ciência Política pela USP. Foi chefe da Divisão de Política Comercial e do Departamento da Ásia e Oceania, em Brasília. Ocupou postos em Washington,  Nova York e Genebra. Foi cônsul geral em Zurique e Berlim, embaixador do Brasil na Dinamarca e na República Tcheca.
Foi secretário de Cultura da Presidência da República no governo de Fernando Collor. Colaborou em vários jornais inclusive no Jornal do Brasil e na Folha de S. Paulo. Fundou o Instituto Cultural Brasileiro da Alemanha, ICBRA.
Prêmios
Medalha Goethe recebida em Weimer, Alemanha.
Finalista do prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro por Os Dez Amigos de Freud.
Bibliografia
- Imaginário e dominação
- Édipo e o anjo: itinerários freudianos em Walter Benjamin
- Teoria crítica e psicanálise
- A razão cativa: as ilusões da consciência de Platão a Freud
- As razões do Iluminismo
- O Espectador Noturno: a Revolução Francesa através de Rétif de la Bretonne
- Mal-estar na modernidade: ensaios
- A razão nômade: Walter Benjamin e outros viajantes
- Interrogações
- Idéias: da cultura global à universal
- Os dez amigos de Freud
- A latinidade como paradoxo
- Riso e melancolia
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo I (1860-1869). ABL - 2008
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo II (1870 – 1889) ABL - 2009
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo III ABL – (1890-1900) - ABL - 2010

* Abertura da série ‘Música de Câmara na ABL’ de 2014 apresenta o espetáculo ‘Do outro lado do carnaval II’

Abertura da série ‘Música de Câmara na ABL’ de 2014 apresenta o espetáculo ‘Do outro lado do carnaval II’

A Academia Brasileira de Letras apresenta, em sua série “Música de Câmara” de 2014, coordenada pelo Acadêmico Marco Lucchesi, o espetáculo “Do outro lado do carnaval II”, dividido em dois momentos: “Música francesa inspirada no carnaval” e “O carnaval dos clássicos brasileiros”. O concerto está programado para o dia 13 de março, quinta-feira, às 18 horas, no Teatro R. Magalhães Jr., na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo. Entrada franca.
Saiba mais
Programa
I
Música francesa inspirada no Carnaval
C. Saint-Saëns - O Carnaval dos Animais - Duo Pianístico da UFRJ: Maria Helena de Andrade e Sonia Vieira (quatro  mãos)
II
O carnaval dos clássicos brasileiros
Ronaldo Miranda – Frevo* - Duo Pianístico da UFRJ: Maria Helena de Andrade e Sonia Vieira (quatro mãos)
Edmundo Villani-Cortes – Impressões de uma marcha rancho** - Trio D’Ambrosio: Ayran Nicodemo (violino), Maria
Célia Machado (harpa) e Maria Helena de Andrade (piano)
Edino Krieger – Prelúdio e Fuga (marcha-rancho)
O. Lorenzo Fernandez – Jongo – Maria Teresa Madeira (piano)
Heitor Villa-Lobos – Samba Clássico
Francisco Mignone – Quizomba (do Maracatu do Chico Rei) – Maria Teresa Madeira (piano) e Inácio de Nonno (barítono)
Chiquinha Gonzaga – Ô Abre Alas – Maria Teresa Madeira (piano)
*Dedicada ao Duo Pianístico da UFRJ
**Dedicada ao Trio d’Ambrosio

* A vingança do indomável Madeira

Por Professor Nazareno*



“Mais uma vez estou de volta às manchetes dos humanos. E como de costume, as notícias sobre a minha reputação são as mais trágicas e pavorosas possíveis. Achincalham-me como se eu fosse a mais terrível das criaturas. Colocam-me mais uma vez contra a parede me acusando das mais dantescas ações. Acusam-me injustamente de estar destruindo vidas, lares, plantações, construções e tantas outras coisas de vocês, pobres sofredores. O problema é que sempre fui injustiçado e incompreendido. Desde as confluências de inúmeros outros meus irmãos andinos, venho há milhões de anos, regando a vida e distribuindo riquezas por onde passo. Ainda em formação, sou muito jovem e sempre fui tranquilo e quieto por onde cotidianamente passo. Sou sinônimo de vida, prosperidade e abundância e jamais em minha existência decepcionei alguém.”
“Não, não estou fazendo mal nenhum a ninguém, pois isto não faz nem nunca fez parte de minha pacífica índole. Esta atual enchente é apenas o reflexo do que fizeram comigo sem a minha permissão. Estou devolvendo aos humanos o que dos próprios homens recebi. Por pura ambição e ganância, vocês rasgaram e dilaceraram meu corpo com duas malditas usinas hidrelétricas nas terras de Rondon. Com pouco ou nenhum conhecimento, alteraram a minha geografia e comprometeram para sempre a minha identidade. São muito hipócritas ou tolos se achavam que eu não reagiria. A montante, por incompetência ou esperteza, seus engenheiros não construíram estradas elevadas o suficiente para se livrar de minhas águas represadas. A jusante, esconderam de todos que me assorearam e por isso minhas águas se esparramam sem controle.”
“Vocês, malditos humanos, é que são maus. A troco de migalhas, alteraram meu curso, explodiram bombas em meu leito, estraçalharam minhas pedras e mataram meus peixes. Depois, roubaram meu ouro, meus metais, minha madeira e toda a minha riqueza. Vocês próprios enganam uns aos outros sem o menor descaramento. Cadê a transposição que lhes prometeram como cala-boca? Cadê a tão propalada isonomia? Vão é devolver o que já receberam. Cadê, enfim, a limpeza desta imunda cidade que vocês habitam? Todo dia, sem ganhar nada em troca, levo toneladas do seu pútrido lixo. Por isso, nem deixei o cimento de suas usinas secar e lhes dei o troco. Não destruí as peças de seus museus. Foi sua própria incompetência que o fez. Podia, se quisesse, levar suas urnas eletrônicas, mas deixei-as para que possam votar e com isso sofrer mais.”
“Nada tenho contra o seu Carnaval nem suas bandas e blocos. Divirtam-se, pulem, ganhem muito dinheiro, coloquem sua alegria na avenida, droguem-se e bebam todas. Aliás, levar vantagem com a miséria e a desgraça alheias sempre foi a sua marca maior. Não ligue para seus irmãos alagados em Calama, São Carlos, Nazaré, Abunã e mesmo em Porto Velho. Eles são pobres e na sua hipócrita sociedade, o que vale um pobre? Dê-lhes um mísero quilo de alimento estragado e fique com a consciência em paz, já que é muito difícil rondoniense gostar de rondoniense. Carnaval é cultura, mano. E tem coisa mais importante e cultural do que beber pinga e pular no meio da rua? Mas, por favor, não me olhem mais com esse olhar atravessado nem me culpem pelas suas mazelas. Seus infortúnios podem estar dentro de vocês mesmos. E eu nada tenho a ver com isso. Precisava apenas de respeito e nunca recebi isto dos senhores.”
*É Professor em Porto Velho.
Fonte: Professor Nazareno