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segunda-feira, 8 de julho de 2013

* 8 de Julho aniversário de Hermilo Borba Filho!

Hoje, 8 de Julho, data do aniversário de nascimento de Hermilo Borba Filho, nascido no Engenho Verde (um dos poucos patrimônios culturais ainda existentes no Município, que será destruído pela Barragem construída pelo Governo do Estado de Pernambuco), em Palmares - PE.
E Palmares está  em festa promovida pelo Governo Municipal, após vários anos sem assessorias antecessoras lembrar desta data.
Mas embora Hermilo sendo artista dramaturgo, contista, novelista e romancista, hoje a data será marcada no Cinema Theatro Apolo com um Concerto (é a vez dos músicos). 
Incoerências à parte, eis uma data meritória para comemorar! Torna-se necessária essa ação de lembrar datas. 
Esse grande intelectual palmarense merece destaques por sua genialidade e pela construção cultural nordestina brasileira que ele representa.
Em Palmares há quem confunda e fale sobre Hermilo como poeta! Ainda há equívocos. Por mais que se tente educar e informar, os esforços dos promotores culturais ainda não são suficientes!
Entrei em contato com a obra de Hermilo Borba Filho, pesquisando nos arquivos da Biblioteca Pública Municipal Prof. Fenelon Barreto (reminiscente da Biblioteca do Clube Literário, onde Hermilo também obteve seus primeiros ensinamentos literários bebidos dos literatos membros da Instituição da sua época de infância e juventude). 
Encontrei na Biblioteca Pública citada um livro que me conquistou: DIÁLOGOS DE UM ENCENADOR. Eu, menino querendo teatralizar a vida e os pesares e desgostos da nossa gente. Li as peças teatrais de Hermilo, mesmo ouvindo várias críticas contra o escritor chamado ESCRITOR MALDITO porque utilizou a linguagem popular, retratando costumes da nossa gente e suas pornografias.
Eu gostei muito do livro DIÁLOGOS DE UM ENCENADOR e pedi emprestado o exemplar para copiar. Copiei datilografando página por página. E se transformou num tipo de ponto de apoio e orientação para a construção da minha linha de ação cultural teatral. Senti ao ler como ele era exigente, primando pela Ética na Arte.
Foi triste notar como livros raros sumiram daquela Biblioteca, assim como os livros de Hermilo. Os anos passando e eu chegava lá para reler os livros e não encontrava. 
Quando entrei em contato com a Atriz Geninha da Rosa Borges, ela me falou muito sobre Hermilo. A convivência dela com ele no TAP - Teatro de Amadores de Pernambuco e em outras ações culturais. Ela contou como a memória de Hermilo Borba Filho era fenomenal e como ele era um poliglota muito estudioso (tradutor de várias obras literárias best-sellers mundiais). Ela falava fluentemente: inglês, francês, espanhol, alemão...
Hermilo Borba Filho no Cinema
Theatro Apolo - Palmares - PE.
Geninha contou que Hermilo a convidou para vir a Palmares para uma pesquisa sobre Mamulengos. Ele publicou um livro sobre o assunto. Era um pesquisador sobre as expressões culturais da nossa gente.
Em 1990 Geninha da Rosa Borges me mostrou um livro sobre teatro que Hermilo Borba Filho a presenteou quando ele voltou de uma viagem à França. Tinha um oferecimento escrito por Hermilo para ela. }Achei o livro lindo, com fotos de cenas de peças teatrais daquela época, com atores que fazem parte da História da Encenação Mundial. Ao ver minha fisionomia ao folhear as páginas daquele livro, ela me presenteou o exemplar. Fiquei muito emocionado e guardava o livro com muito carinho. Infelizmente foi destruído pela enchente de 2000 quando não deu tempo retirar os arquivos do GRUCALP do prédio da Antiga Cadeia de Palmares, onde o nosso Centro Cultural funcionava (eu doei o livro para os arquivos do GRUCALP).
Através de Geninha da Rosa Borges, tive contato com
Rubem Rocha Filho (saudoso amigo que já se foi para o mundo dos anjos). Rubem foi trazido para Recife a convite de Hermilo. Rubem tinha sido premiado e passado um tempo nos Estados Unidos. E não quis mais sair do Recife, confidenciou que se apaixonou pela capital pernambucana e assim Pernambuco adotou um talentoso ator, Diretor e dramaturgo, graças a um convite de Hermilo.
Geninha da Rosa Borges
Em 1990 Geninha e Rubem vieram a Palmares para comemorar o aniversário do GRUCALP e ministraram oficinas teatrais e relataram convivências com Hermilo Borba Filho. Contaram fatos das ações dele como Encenador.
Assisti palestras de Ariano Suassuna e de Marco Camarotti quando relataram sobre Hermilo Borba Filho. Ouvi também relatos de atores que conviveram com Hermilo, tais como Reinaldo de Oliveira, Dinah de Oliveira, Hugo Martins, João Denys Araújo Leite (meu grande amigo e ex professor de Caracterização)...
Um livro preciosíssimo sobre Hermilo Borba Filho que chegou em minhas mãos foi repassado pela FUNDARPE, em 1989: POR UM TEATRO DO POVO E DA TERRA (de autoria do Prof. Maurício Britto Carvalheira). E o autor deste livro veio a Palmares para ministrar oficina de teatro e proferir palestra.
Não sei como se espalhou a notícia de que eu não gostava de Hermilo Borba Filho. Boataria de gente invejosa. Eu desde criança admirava esse homem e desejava me aproximar dele e não tive oportunidade, não deu tempo porque foi retirado da Terra antes de eu ter autonomia para ir até ele materialmente.
Hermilo, um artista que não ficou em Palmares e nada construiu aqui, porém sua obra transpira a terra da qual ele nasceu.
Promovi leituras de peças teatrais de Hermilo em atividades do GRUCALP com jovens ávidos para aprender teatro durante oficinas que promovi. Mas nunca dirigi peça teatral de autoria dele. Quando quis encenar uma obra de Hermilo, ao chegar na Biblioteca Pública Prof. Fenelon Barreto não existia mais os textos dele lá...
Uma pessoa que muito conversou comigo sobre Hermilo Borba Filho, foi o primo dele, Lael Borba de Carvalho, amigo de muita estima da minha família. 
Uma frase que ficou famosa de autoria de Hermilo: PALMARES É A MARCA NA MINHA VIDA PARA SEMPRE.. Eu sempre digo que ele deveria ser uma marca na História de Palmares por ter construído ações locais, visto que morava pertinho, no Recife. Com minha rebeldia e questionamentos, eu afirmava que o artista deve marcar a terra onde nasce e não deixar ela ser uma marca na vida dele. 
Com certeza teriam jovens ávidos para aprender com ele, eu seria um desses. Mas as mágoas o afastaram daqui, mesmo expondo todo amor à Palmares em sua obra literária.

Vamos às informações sobre Hermilo Borba Filho (Palmares, 8 de julho de 1917 — Recife, 2 de junho de 1976) :


Filho de Hermilo Borba Carvalho e Irinéa Portela de Carvalho.
Hermilo foi aluno do Prof. Miguel Jasselli, com quem primeira vez atuou no palco. Prof. Miguel Jasselli tinha um grupo de teatro da Sociedade de Cultura dos Palmares, a qual foi fundador e se apresentava no Cinema Theatro Apolo.
O garoto de engenho que se mudou para a cidade para estudar, de Palmares foi para o Recife. Lá estudou Bacharado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1950, porém nunca exerceu a advocacia.
Dedicou-se ao teatro e à literatura. Além de Dramaturgo, contista e romancista, se dedicou a traduzir obras literárias, arte e História. Colaborou com Revistas, escreveu críticas teatrais em jornais (excelente crítico de Artes). Escreveu também para os jornais recifenses Praieiro, Folha da Manhã, Jornal Pequeno, Diário da Noite, Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio, Jornal da Cidade e para o Última Hora e Correio Paulista, publicados em São Paulo, além de fazer parte do conselho editorial do jornal semanal paulistaMovimento(1975), juntamente com o compositor Chico Buarque de Holanda, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o indigenista Orlando Vilas Boas.
Ocupou cargos na Prefeitura do Recife e na Universidade Federal de Pernambuco.
Mas a grande ação cultural dele foi junto com Ariano Suassuna, quando fundaram o Movimento Armorial. 
Foi para a França onde se juntou a Jean Villar e voltando a Pernambuco fundou o Teatro Popular do Nordeste (TPN), inspirado no grupo do teatrólogo francês, o Teatro Nacional Popular (TNP).
Trabalhou ao lado de José Carlos Cavalcanti Borges, Gastão de Holanda, Aldomar Conrado, Leda Alves e Capiba.
Pelo envolvimento com o Movimento de Cultura Popular (MCP), junto com Paulo Freire, e sua simpatia pelo Partido Comunista, sofreu perseguição política. 

Muito premiado, Hermilo escreveu várias peças teatrais, contos, novelas e romances.  

Seguindo o modernismo, usou o vocabulário popular, retratando bem os costumes do povo. 

Romances:
A tetralogia Um cavaleiro da segunda decadência é considerada sua obra de maior importância. É composta por quatro romances: Margem das Lembranças (1966); A porteira do mundo (1967); O cavalo da noite (1968) e Deus no pasto (1972). Além desses é autor dos seguintes romances: Caminhos da solidão (1957); História de um Tatuetê, publicado pelo Gráfico Amador (1958); Sol das almas (1964); Agá (1974). É autor ainda dos contos O general está pintando (1973); Sete dias a cavalo (1975); As meninas do sobrado(1976) e da novela Os ambulantes de Deus (edição póstuma 1976).

 Peças Teatrais:
A felicidade foi sua primeira peça de teatro, encenada e dirigida por ele para a Sociedade de Cultura de Palmares, em 1935. O conto As pernas daquela moça reproduzido na revista Renovação, em 1941, foi seu primeiro texto publicado.Escreveu ainda as seguintes peças de teatro: Parentes de ocasião (1943);O presidente da República (1943); Soldados da retaguarda, em parceria com Valdemar de Oliveira (1944); O círculo encantado, tragédia (1944); Vidas cruzadas (1944); O vento do mundo (1948); João Sem Terra (1949); Cabra cabriola, para o teatro de mamulengo (1951); Noé, tragédia (1951); Os bailarinos (1951); Três cavalheiros a rigor (1953); A barca de ouro (1955);Apenas uma cadeira vazia ou Um paroquiano inevitável (1956); Electra no circo(1956); Nossa vida com mamãe (1957); O bom samaritano (1965); O cabo fanfarrão (1966); A donzela Joana (1966); As moscas (1969); Sobrados e mocambos (1972).


Como Diretor agiu nos grupos teatrais:


  • Companhia Nydia Lícia - Sérgio Cardoso
  • Companhia Cacilda Becker
  • Grupo Stúdio Teatral
  • Teatro Paulistano de Comédia.
  • Sociedade de Cultura de Palmares (1935)
  • Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP)
  • Teatro Universitário de Pernambuco (TUP)
  • Teatro Operário do Recife
  • Teatro do SESI
  • Centro de Comunicações do Nordeste (CECOSNE)
  • Teatro Popular do Nordeste
  • Teatro de Arena do Recife


Livros publicados:


  • Teatro. Recife: TEP, [19--?]. 406p.
  • Duas conferências: Teatro: arte do povo reflexões sôbre a mise-em-scène. Recife: Prefeitura Municipal, 1947. 46p. Em colaboração com Arruda Câmara e Jerônimo Gueiros.
  • Hermilo Borba Filho. História do Teatro. Rio de Janeiro: Ed. Casa do Estudante do Brasil, 1950
  • Teoria e prática do teatro: antologia. São Paulo: Agência Ed. Íris, 1960. 318p. Organizador.
  • Diálogo do encenador. Recife: Imprensa Universitária, 1964. 128p.
  • Sol das almas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964. 231p.
  • Apresentação do bumba-meu-boi. Recife: Imprensa Universitária, 1966. 174p. il. [21/99;
  • Arte popular do Nordeste. Recife: Prefeitura do Recife, Secretaria de Educação e Cultura, 1966. 112p. il. Coordenador.
  • A donzela Joana: teatro. Petrópolis: Vozes, 1966. 127p. (Diálogo da Ribalta, 15).
  • Espetáculos populares do Nordeste. São Paulo: DESA, 1966. 168p. il. inclui bibliografia.(Buriti, 10).
  • Fisionomia e espírito do mamulengo: (o teatro popular do Nordeste). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1966. 295p. il. (Brasiliana, 332).
  • Um cavalheiro da segunda decadência: III – o cavalo da noite. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. 251p.
  • Orilla de los recuerdos: un caballero de la segunda decadência, I. [S.l.]: Ediciones de la Flor, 1969. (s.p.).
  • Cerâmica popular do Nordeste. Rio de Janeiro: Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1969. 204p. il. (Folclore brasileiro, 4). Em colaboração com Alfredo Rodrigues.
  • Um cavalheiro da segunda decadência IV: Deus no pasto. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. (s.p.).
  • Sobrados e mocambos: (uma peça segundo sugestões da obra de Gilberto Freyre nem sempre seguidas pelo autor). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. 167p.
  • O general está pintando: novelas. Porto Alegre: Globo, 1973. 136p. (Coleção sagitário).
  • Os ambulantes de Deus: novela. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976. 145p. (Coleção Vera Cruz, 221). [MAURO MOTA LIT – 1785]
  • As meninas do sobrado. Porto Alegre: Globo, 1976. 127p. [MAURO MOTA LIT – 1654]


Diretor de Teatro, Dramaturgo, Poeta, Romancista, Cronista e Teimoso Repórter.



domingo, 15 de julho de 2012

* O que defendo mudar na política local

O Marketing politiqueiro leva o eleitor a ver somente o nome do candidato cabeça de chapa. Ou seja, o marketing faz "a imagem" fabricada ou não de quem se candidata a Prefeito. Essa estratégia é base para os enrolamentos sobre as coligações e assim a maioria dos eleitores não percebem os conchavos, tramoias das negociatas (que são tão obscuras) de muitas coligações.
Desta forma se deixam de lado as realidades conjunturais das coligações. Há muita gente votando sem analisar quem se uniu na luta pelo poder.
E tudo se resume mais a luta pelo poder. As ideologias e os projetos que deveriam surgir de análises juntamente com lideranças populares dificilmente existem.
Outra estratégia é afastar a atenção dos eleitores das bases ideológicas e história dos candidatos e Partidos coligados. Falando somente sobre o candidato, esses pontos primordiais deixam de existir pela influência da propaganda ilusória e alienante que nubla o entendimento dos eleitores.
E quando querem pisar no nome de um candidato, inicialmente espalham acusações de "radicalismos" dele ou que sempre foi brigão e não tem como "negociar" com ele.
Ora, se alguém mantém posicionamentos sobre tudo que seguiu desde início da carreira política e é chamado de radical, eu creio ser um grande elogio. Isso mostra que ele nunca traiu princípios éticos e mantém posicionamentos de lutas sociais. Sempre quem se mantém fiel às lutas em prol das bases sociais e não negocia com as forças econômicas e de repressão social é chamado de "radical" (vocábulo que provém de "raiz", de fidelidade à raiz de lutas). Raros são os radicais.
E ao observar os desmantelos e saladas indigestas fabricadas pelos golpes politiqueiros usurpadores do poder, melhor é ovacionar "os radicais".
Um exemplo do que falo é como algumas pessoas ligadas a forças políticas ditas "poderosas" estão impingindo à Antonio DE Castro, sem ter o que dizer dele. E por pertencer a uma coligação resistente ao poder econômico e às forças de repressão social, o chamam de radical. Usam assim essa estratégia de manter os eleitores centralizados somente "no candidato".
Se Antonio de Castro é radical por seguir fielmente o que sempre defendeu e não traiu os princípios norteadores de ideologia defensora da igualdade, liberdade e fraternidade, então isso não é acusação sensata. Procurem outra falha nele porque o estão elogiando.
E porque se preocupar com ele se é candidato sem dinheiro para campanha? (que situação chagamos quando quem é pobre é fonte de gozação e pobres são influenciados para votar em campanhas milionárias).
Mas por trás do nome de um candidato tem uma conjuntura política e econômica de interesses de usurpação do poder pelo poder de ter mais ou em prol de ideologia libertadora popular.
Antonio de Castro é representante de uma coligação do PCB com o PSOL, Partidos mantenedores de posicionamentos em prol da justiça social e libertação dos oprimidos e não se uniu em suas Histórias com acordos traidores do povo! Então se a única acusação contra alguém é chamar de radical por se manter fiel a esses princípios repito que o elogiam.
Se o criticam porque ele sempre criticou muito quem trai princípios defendidos em palanques é outro ponto frágil. Estão fazendo o bom nome dele, não é destruição da imagem do homem polemizado por quem gostaria de ter apoio dos Pardidos que o apoiam.
Acho interesante como os próprios opositores fazem os nomes de quem dizem fazer oposição (será que são opositores?), como fizeram com o nome de João Bezerra, que foi mais divulgado por quem si dizia e se diz opositor a ele.
E assim Antonio de Castro ganhou marketeiros gratuitos: os opositores dele que o propagam nas conversas de bares, de esquinas e nas rodas de fofocas tendo ele como fonte de gozações "porque não tem grana para campanha" (algo que disseram também do Prof. João, mas atualmente diante dos acordos feitos não pode mais ser atacado sobre a questão financeira)...
Quando vemos uma coligação data "radical" como esta do PCB e PSOL que lançou Antonio de Castro para Prefeito, não devemos ver "o candidato", mas as popostas dos  Partidos porque ao ser "radical" já diz tudo, pois se conversará fiel ao que propor e tudo dito pelo candidato provém de estudos e consenços dos Membros dos Partidos. Tudo é resolvido pelo "grupo" que forma a Coligação.

Mas os eleitores são levados a não ver "o conjunto" da coligação como citei acima.

A politicagem vem há tempo qurendo levar o povo a desacreditar no conjunto das uniões partidarias, algo que facilitam aos maldosos que usam os partidos osmetne como legendas eleitorais e próprio usufruto. E ainda transformam campanhas eleitorais semelhantes a jogos de futebol onde o imprtante é ganhar, sem importar com quem se una e que jogadores "comprem para o time" (dando espaços para as venalidades dos leilões e acordos dos "toma lá dá cá", pois todo acordo nesta forma coloca em jogo espaços no poder, benefícios diversos, sem compromissos éticos e técnicos, pois o importante é ter cargos e poder sem levar em conta as capacitações; fundamentos para o caos que nossas comunidades se afundam cada vez mais).

Há quem deveria mudar discursos sobre "o importante é tirar o Prefeito". Eis outro grande erro. O maior mal não é o prefeito mas um conjunto de fatore a ser observados desde a campanha eleitoral (novamente aí esta ã intenção do marketing que esconde tudo dos eleitores).
Deveriam lutar por renovações de propostas e projetos compromissados e com bases em realidades e não em ficções de sonhos megalomaníacos impossíveis de realizar.

Palmares precisa de novos rumos políticos de campanhas eleitorais também. Que as lideranças deixem de lado ataques pessoais e mostrem porpostas convincentes. E não perder tempo sobre a ficha suja dessa ou aquela pessoa. Os seres humanos mudam e quem se diz "ficha limpa" pode se transformar em ficha suja ao chegar no poder! Somente se conhece quando está no poder. Fora do poder, principalmente durante a campanha todos são bons e cheios de boas propostas e boas intenções! Vimos isso ocorrer em nível nacional e até em nosso município!
Há outros candidatos que precisam ser ouvidos e precisam manter uma linha de propostas.
O Prefeito Beto enfrentou durante a administração enchentes, desarticulações de equipe, mas ele tem oportunidade de mostrar suas propostas até mesmo de renovação. César Romero já foi adminsitrador do Município da Água Preta e terá oportunidades de mostrar propostas para renovar Palmares. Zé Otavio vem fazendo ações nas comunidades há alguns meses com inteção de ser Prefeito (mesmo estando há dezenas de anos longe de Palmares disse que veio para governar o Município e tomou como base ações da ONG Sos Polis, na maior pre camapnha que Palmares já viu) e também tem direito de mostrar as propostas dele.
Somente espero que esses candidatos não se prendam a críticas e achincalhamentos aos outros e que mostrem projetos e propostas plausíveis em prol do desenvolvimento do nosso Município. Até mesmo Antonio de Castro precisa  mostrar os objetivos desenvolvimentistas para Palmares porque ideologia é bom ter, mas ficar falando somente nas bases filosóficas do PCB e PSOL não convence aos eleitores. No Século atual a maior revolução é a Educação do povo. Espero que essa coligação PCB e PSOL cumpra o prometido na Convenção deste ano e faça um trabalho de educação política nesse pleito eleitoral. E atacar outros candidatos esquecendos mostrar propostas não é educar os leitores.
E quanto aos outros, como escritor e artista comprometido com a História, eu estarei pronto para cobrar o prometido e o que prometerão. Eles passam, passarão e a Arte registrará a História!

Os candidatos são os responsáveis diretos pela paz nas comunidades durante esse período que estamos. Eles que promovem a paz ou as refregas insensatas (no final o povo é usado pois as cúpulas sempre se unem e se entendem). Quantos militantes e simpatizantes brigam e arriscam a vida para depois verem aqueles "inimigos de palanques" como reles atoresde uma farsa grotesca, pois se unem na próxma eleição.
Palmares vive um período de traições a princípios e ideologias. Esses esquemas de marketings que levam as pessoas a não mais seguir ideologias, apenas fragilizam um povo e faz nossa gente perde identidades. Como fizeram com muitos Partidos Políticos que estão sem identidades e são usados apenas como legendas eleitoreiras. Quem perde vinculos com ideologias e tem apenas compromissos com os acordos politiqueiros (onde o povo é somente "um detalhe a ser esquecido", como dizia um personagem de Chico Anysio), mais facilmente  trai promessas de campanha e usará mais facilmente os eleitorres ludibriados pela falsas propagandas.
Atualmente em Palmares não há vestígios de reais boas intenções em quem ataca quem segue princípios éticos e não se vende às forças repressoras.
Será que todas essas pessoas são realmente opositoras de quem dizem fazer mal ao Município quando desrespeitam ideologias que no passado se diziam fiéis e hoje se entregaram a quem eram opositores ferrenhos? Até onde conservam uma oposição e até que ponto a venalidade comanda suas mentes gananciosas pelo poder do mando político governamental?
O maior absurdo é ouvir jargões influenciadores como o tipo "não votarei em quem não tem grana". Traição a si próprios porque votar em quem tem dinheiro é colocar no poder quem não tem compromisso com os pobres.
Há quem se  diga pobre e está gastando muito. Começando antes mesmo das Convenções (quando muita gente vai interessada em participar em militâncias ou nos benefícios cedidos pelo poder).
O povo vítima do desemprego e desequilíbrio da distribuição de renda na sociedade. O povo vítima desses que não promovem nem promoverão projetos de libertação popular (real geração de emprego e renda e autosustentabilidade), pois povo liberto escolhe próprios rumos e não tem interesse de manter no poder esses depredadores do erário ou bem público.
Bem aventurados que cultuaraem a paz e a amizade acima de tudo, pois isso é o que se leva deste mundo. Sejamos amigos!


Jaorish

sábado, 9 de junho de 2012

* Heranças de Rebeldia Quilombola (poema de Jaorish)!

EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DOS PALMARES (1879-2012) UM RESUMO EM VERSOS DA HISTÓRIA DA NOSSA TERRA DOS POETAS:


Heranças de Rebeldia Quilombola!

Quero gritar no meio da Mata,
Quero cantar no meio da praça!
Quero dizer sempre na hora exata
O que meu coração sente forte,
Até chegar o exalar da morte
Que num poeta não é concreto,
Pois a imortalidade em poesia
Faz-me eterno por divina magia.



Com o meu mais ferrenho desejo em verso,
Imprimo, na cega sociedade, minha nobre rebeldia
Herdada de guerreiros quilombolas
Desta terra de índios e negros rebelados;
Pouco citados nas fontes escassas da historiografia.
Sou artista, preciso marcar época e contar.
O que a tradição me repassa, versifico.       
Através da Arte, o brado do meu povo é eterno.



Mas meu verso é justo e aqui concretizo
Os porquês de ser por meu povo bem quisto:
Canto embolada, xote, baião coco de roda,
Aboio, loas de maracatu e reisado.
Faço se possível a maior presepada,
Mas não deixo minhas raízes culturais,
Nem quero nossa História desprezada,
Nem canto modas colonizadoras banais.



Defendo minha terra palmarina com afinco.
Escute com atenção porque eu não minto:
Sou filho da região onde a cana tombou palmeirais
Que inspiraram os negros rebeldes que unidos aos índios,
Lutaram contra os desmandos colonizadores senhoriais.
Assim foi o Quilombo dos Palmares por quase um Século,
Lugar de igualdade e fraternidade, resistência aos ímpios,
República de rebeldes em meio à Colônia de Monarquias.

Os canhões de Domingos Jorge Velho, derrubaram cercas,
Destruíram muros e vidas dos valorosos quilombolas amotinados.
Um grande crime aos Direitos Humanos, incalculáveis perdas
Num genocídio sem igual contra índios, negros e brancos rebelados.
Mas não conseguiram destruir os herdeiros dos negros enfezados,
Nem calar um ideal de liberdade expresso em canções e danças
Das nossas expressões populares, mantenedoras das esperanças
Do nosso povo brincante, na cultura mais diversificada do mundo.

O território conquistado pelos palmarinos,
Desde o Cabo de Santo Agostinho até o Rio São Francisco
Uma República com senso organizacional nunca antes visto.
Após aquele grande genocídio, as terras foram divididas.
Entre os soldados, burgueses e fidalgos, foram distribuídas.
E minha Cidade, sofreu impasses de comandos de coronéis e barões,
Teve nomes diversos, escolhidos pelos gostos de donos dos brasões,
Ao som dos badalos dos beatíficos sinos.

A Família dos Montes adquiriu a sesmaria
e nomeou o lugar com empáfia: Povoado dos Montes,
num jogo de cintura clerical para não milindrar.
E até para o culto da Santa Virgem Maria
Teve que ser a Nossa Senhora da Conceição dos Montes,
Não pelos montes que circundam o lugar,
Mas pela família que ganhou a posse das terras,
Embora a Santa foi cultuada pelos quilombolas.

Há um incidente durante a Revolução Praieira,
Alguns casos engraçados sem eira nem beira,
Da passagem de Pedro Ivo e soldados atolados,
Num lamaçal, onde um corneteiro perdeu uma trombeta.
E o povo rebelde para se ver livre do nome da Família herdeira,
Aproveitou-se do fato e renomeou o povoado de Trombetas.
E sob a inspiração do rio poético, veio o Povoado do Una,
Em pleno surgimento do Clube Literário de marca profunda.

Tem a fase do implante do Escritório da Great Western,
Pelos idos de oitocentos e sessenta e dois, do for all
Entendido por forró pelos matutos cabras da peste.
Aqui ficou implantada a Estação Ferroviária do Una
Que prenunciava um movimento de revolta geral,
Instigada pelos poetas organizados, rebelados, em suma,
Chegando a conseguir o Distrito em oitocentos e sessenta e oito,
Mas os moradores do Vale do Una tinha algo muito mais afoito.

Lideranças queriam mais, e em mil oitocentos e setente e três,
sendo quinze anos antes da Abolição da Escravatura,
o nome proibido dos Palmares foi defendido mais uma vez
e foi criado o Município Autônomo dos Palmares.
Eis que a História é reconquistada com grande ventura.
Mas somente após seis anos de lutas dos escritores,
Aos nove de junho, em mil oitocentos e setente e nove,
Palmares foi Município emancipado, com foros de Cidade.

Em minhas veias circulam heranças de Cultura e Grandeza,
E como cantador e poeta, mato a cobra e mostro o pau,
Me arreto, dou cambalhotas, gingo capoeira e viro a mesa
Mas não arredo o pé do meu lugar, eu luto por minha terra
Como os poetas lutaram pelo nome da Cidade ser honrado
Novamente com o nome batizado pelo africano amotinado
e hoje ser conhecida como a tradicional Terra dos Poetas.
Palmares, eu te amo pelo valor cultural e lutas que encerras.

© Jaorish Gomes Teles da Silva.

11 de agosto de 2007.

* PARA SEMPRE PALMARES (crônica)!

PARA SEMPRE PALMARES!

Adoro esta terra! E é neste pedaço de chão que espero viver o resto dos meus dias e depois aqui, para sempre, repousar meu espírito. Outro dia, transitando pelas ruas, um amigo que eu não via desde a enchente catástrofica que aniquilou nossa querida Palmares, (e graças a esse povo destemido e bravio a cidade foi reerguida) indagou-me: por que você não vai morar em outra cidade? Fui enfático: daqui, não arredo pé! Eu sou da terra dos poetas! E foi nesta cidade que desde cedo aprendi a respeitar e admirar seu povo, sua gente. Homens e mulheres simples, porém, guerreiros, altaneiros em generosidade, arte e rebeldia. Palmares está marcada na história por ser revolucionária e ao mesmo tempo, benévola, complacente. Recordo Ernesto Che Guevara: “ O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimerntos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade”

Palmares das palmeiras imperiais, dos rios Una e Pirangi, que tanto embalaram meus sonhos. Terra de Zumbi, dos poetas; do clube literário, entupido de literatas; da biblioteca pública Fenelon Barreto; do Cine Teatro Apolo; do clube Ferroviário; da estação Ferroviária; do Alto do Inglês; do Cocão do Padre; do Hotel Jaú; do Cinema São Luiz, onde pela primeira vez meus olhos correram as pernas de Brigite Bardot, dos meus namoricos, era a sétima arte, me mostrando os caminhos do mundo. Palmares dos meus antepassados; dos Griz; dos Borbas; dos Oliveira Cavalcantis; terra querida, dos Monteiros da Cruz; de Luiz Ferraz, Jessiva Sabino, dos Mirandas Marques, terra de Juarez Correya, de Afonso Paulo Lins, de Joab e Iolita, de Sr. Virgílio e D. Iraci Palmares dos artistas populares Rabeca, Veludo do pífano, do mestre Teles Júnior na arte de talhar. Dos intelectuais, dos fotográfos, do relojoeiro Zinho dos sapateiros Sotero Salvador e Pacarú. Palmares, das artimanhas de Otacílio e Piruzinho; dos chafarizes; dos banhos de bicas e cachoeiras; da feira livre. Dos bancos das praças, e dos bancos das toldas do mercado público.Do antagonismo ideológico.Palmares dos meus queridos amigos artistas Zé Linaldo, Tonho Oião, Mazinho, Zé Ripe, Marquinhos Cabral. Palmares dos meus irmãos, dos Joãos, dos Josés, das Marias. Palmares dos Cabarés Sorriso da Noite, Aritana, Monte Carlo, Pajuçara.

Em Palmares, muito me apraz, o nome das suas ruas: da Soledade, da Palma, Da Notícia, Bom Destino, Boa Vista, do Jardim, da Aurora, rua Visconde Negro e Engole Homem. E dos engenhos Verde, Goiabeira, Boa Fé, Fanal da Luz.

. E conta-me sempre minha mãe, da minha primeira estripulia: foi esperneando no ventre aquecedor dela, pedindo angustiadamente para ali não nascer, que migramos para o melhor lugar do mundo, sendo pra mim, “a terra prometida”. Não que eu tivesse alguma coisa contra a cidade de Colônia Leopoldina, muito menos seu estado Alagoas. Mas o que eu queria mesmo era ser palmarense, pernambucano! E tanto esperneei que minha mãe concordou e pediu pra que meu pai providenciasse transporte o mais rápido possível. Nada, nenhum transporte. Ninguém de bom senso arriscaria veicular naquela estrada, ocasionalmente, encontrava-se pior que de costume. Alguém terminaria aquela viagem? Perguntava meu pai. Insisti! Esperneei mais forte, minha mãe sentia... Tornou a pedir a meu pai e este já determinado convenceu um outro destemido amigo a romper tal obstáculo. Era um jeep Wilis, ano 58, e cor verde, com pouco tempo de uso.
Aportamos no casarão dos meus avós maternos, localizado na rua Coronel Izácio, 124, faltando poucos minutos para o meio-dia. Tempo suficiente para aprontarem o quarto. Minha mãe já no trabalho de parto, eu impaciente, me contorcendo... Pronto! Era exatamente meio-dia do dia 12 de junho do ano de mil novecentos e sessenta. O sino do velho mercado público, repicou, saudando o mais novo filho desta terra, festejamente com aquelas doze badaladas, chorei de alegria! Nascia naquela cama de madeira escura trabalhada, pesando aproximadamente 3.500 Kg, cabeludo e risonho, falava a parteira Amélia Miranda, ao pegar-me. Ia me esgoelar, quando parei para escutar aquela mulher linda, colocar-me entre os seios, mesmo dorida, a falar para todos que se faziam presentes: “ chama-se Genésio, nosso Genésio. Meu pai concordou imediatamente.

Aqui abro aspas para citar o grande contista poeta e crônista Lêdo Ivo, apesar de ser alagoano, tinha no coração, amor pelo Recife, e que imortalizou-se com seus brilhantes versos, entre eles: “ Amar mulheres, várias. Amar cidades, só uma – Recife”

Amplio este perfil, por amor a esta terra, minha mãe natural. Aqui amo violenta e docemente. E, quando no mais alto cume de ti me encontro, apreciando-te, afagando-te e acaricio por completa. E, ao sentires desnuda, acolhe-me mais fortemente, dando-me a sensação de euforia e prazer.

E foi sob o olhar aprovador de Nossa Senhora da Conceição dos Montes, que desposei Palmares, como minha legítima amante. Declarei esse amor de livre e espontânea vontade e prometendo-lhe amá-la e respeitá-la, e ofereci-lhe como prova deste amor minha poesia, minha alma: “Por certo, um dia, do alto das palmeiras de minha terra, terra do meu refúgio, da minha inspiração, desfoflar-se-ão, e cairam sobre meus escombros, alimentando minha alma e o meu amor por ti! Salve Palmares, para sempre, Palmares!

Crônica escrita pela passagem dos seus cento e trinta e três anos de emancipação política.

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre

BRASÃO DO MUNICÍPIO DOS PALMARES (AUTOR: TELLES JÚNIOR):

O Escudo de Armas do Município dos Palmares foi criado pela Lei Municipal nº 688 de 24 de outubro de 1975.
O Escudo, da autoria do pintor Telles Júnior, é constituído pelo Escudo propriamente dito, ladeado por dois sustentáculos do Escudo, representando os dois chefes da República dos Palmares, Ganga Zumba à sinistra e Zumbi à dextra, como os vigilantes de todo o patrimônio municipal.
O escudo, ornamentado de barras paralelas, alternadamente em blau e branco, representa a Igualdade.
No abismo, um Sol nascendo sobre os montes, iluminando o Rio Una, reflete sobre as águas e sobre os campos a sua força vital, necessária a todo o progresso. Ainda, no coração do escudo, à sinistra, uma cana de açúcar, simbolizando a riqueza do município e da região. À dextra, uma palmeira real, simbolizando a denominação do município. Em contrachefe, fora e abaixo do escudo, um laço em blau, trazendo em ouro a legenda "DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA".
À sinistra do laço a data histórica da criação do município: 24-05-1873. À dextra a data 09-06-1879, lembrando a Emancipação econômica e política dos Palmares.

BANDEIRA DO MUNICÍPIO DOS PALMARES:


A Bandeira do município dos Palmares, idealizada por Luiz Portela de Carvalho, foi hasteada pela primeira vez no dia 13 de outubro de 1963, na inauguração do Palácio do Bambu, atual sede do governo municipal, quando também pela primeira vez, foi cantado o Hino dos Palmares.
O autor da bandeira foi Baltazar da Câmara, pernambucano de Vitória de Santo Antão, que morreu no ano de 1983.

Cores e significados
No pavilhão municipal o azul representa nosso céu, o branco representa a paz, o sol simboliza a liberdade; a faixa azul na parte inferior representa o rio Una e a cana é a nossa principal cultura.

HINO MUNICIPAL DOS PALMARES (Letra: por Milton Souto
Música:Edson Carlos Rodrigues & Nehemias Galdino de Araújo):

Na conjunção dos seus canaviais,
a alma verde da gleba está latente,
como esperança que riqueza traz,
tornando o solo forte e independente.
Engenhos, casas-grandes lá de outrora,
que existem pelos campos em Palmares,
são marcos a lembrar, somente agora,
as tradições de fases seculares.
Palmares é Canção da Natureza,
- Exortou, certa vez, Silva Jardim.-
É terra de cultura e de grandeza,
no mundo não havendo igual assim!
Os seus dois rios – Una e Piranji,
cujas águas deslizam no torrão,
sempre irmanados, passam por aqui,
a decantar Palmares em canção.
É qual Arcádia, sempre rutilante!
Hipócrene feliz das mais diletas.
Por graça lá do céu edificante
nasceu, assim, a Terra dos Poetas!
É nova Atenas. Honra deste estado.
Aponta ao saber lindo cenário.
Reflete eternas luzes do passado,
nas tradições do Clube Literário.
Salve! Este solo glorioso.
- Que tendo história, tem belezas mil.
- Que o Brasil já tornou tão orgulhoso,
por ser a nova Atenas do Brasil!
Palmares é Canção da Natureza,
- Exortou, certa vez, Silva Jardim.-
É terra de cultura e de grandeza,
no mundo não havendo igual assim!

O Hino Municipal dos Palmares, composto da música de Edson Carlos Rodrigues e Nehemias Galdino de Araújo e do poema do escritor Milton Souto, foi oficializado por Ato do Poder Executivo de nº 306 em 03 de outubro de 1963, conforme o Decreto de nº 144, na gestão de Luis Portela de Carvalho.

Ficou instituído pelo Poder Executivo, o dia 13 de outubro dedicado ao Dia do Hino e da Bandeira Municipal, conforme decreto da Câmara Municipal e a Lei sancionada pelo Prefeito do Município.

Será de uso obrigatório o cântico do Hino Municipal nos dias dedicados ao Hino e Bandeira Municipal e Emancipação Política do Município.
Será de uso facultativo a sua execução ou cântico na abertura de sessões cívicas, nas cerimônias religiosas a que se associe sentido patriótico, no início ou encerramento de transmissões radiofônicas, bem assim para exprimir regozijo público em ocasiões festivas.
Será de uso obrigatório o cântico do Hino Municipal em um dia da semana, nas escolas pertencentes à rede municipal de ensino.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

* Homenagem aos 81 anos de nascimento de Telles Júnior!

Foto do Museu Telles Júnior - Rua Antonio Becco, 138 Centro - Palmares - PE (o primeiro Museu da Cidade dos Palmares, criado pela família do artista, no local onde funcionava o atelier dele, num anexo da residência). O espaço cultural está necessitando restauração. Família sem recursos para manter e sem verbas públicas direcionadas para os fins devidos, obras de artes e acervos diversos de escritos, pertences pessoais, estão em ambiente impregnado de fungos, cupins, goteiras, etc... O GRUCALP iniciará uma campanha de restauração do Museu Telles Júnior.

Hoje é comemorado o 81º Aniversário de nascimento do artista Telles Júnior!
Veja o site do artista (pintor, escultor, poeta, ator, diretor de teatro, compositor de músicas, locutor, esoterista) e saiba mais sobre sua vida e obras artísticas (poemas, fotos de esculturas e de pinturas):
http://www.tellesjunior.xpg.com.br/
Quem viveu a vida na arte e a arte em vida conseguiu a Eternidade! Imortalidade pela obra deixada no mundo!
No programa "Cultura e o seu redator", a Rádio Cultura dos Palmares AM (
http://www.rcpalmares.com.br/ ) homenageou o artista. Inicialmente, nas notas de aniversários do dia, com o repórter Alberto Passos e depois no programa citado, na voz do locutor Humberto Araújo (Humberto chicote).
Agradecemos a ao carinho dos amigos que fazem a Rádio da integração regional da Mata Sul Pernambucana! A pioneira na região!

Parabéns Telles Júnior!
Beijos e abraços de todos os que fazem o GRUCALP e todos os artistas palmarenses!

Clipes sobre a vida e obra de Telles Júnior veja nos canais:
www.youtube.com/GRUCALP
www.youtube.com/colmeiadasletras

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terça-feira, 9 de junho de 2009

* Palmares dos Brasões falidos aos alienígenas fraudadores de mitos!


Palmares, Mata Sul Pernambucana.
Início da noite.
Dia quente.
Na janela,
Sentindo o vento,
Vejo gente.
Nada novo diante da minha morada.

Gente que passa para as escolas noturnas.
Gente com pressa para jantar.
Gente com pressa sem ver a gente
Gente tão triste e outra muito contente!
E o vento morno trás o cheiro dessa gente:
Gente com cheiro de banho, perfumada;
Gente com cheiro de labuta, toda suada...
E mesmo sem ver nada de novo diferente,
Sempre surge algo a quebrar a monotonia
Inexistente no todo dinâmico jogo do viver,
Dessa gente teimando em cruel luta para se ter
A básica sobrevivência dessa Mata falida.

E ouço uma voz:
"- Boa noite, seu moço! Pode me dá uma ajuda? Qualquer coisa serve!"
Falo à minha mãe, "um pão, frutas para o camponês aflito!"
E enquanto resolve a esmola, um canto surpreende meu sentido:
"- Lá pros lado de Barreiros,
Lá na Usina Cucau,
O Coronel José Múcio,
Mandou pintar
Todos os caminhão de azul!..."
E com um riso de agradecimento pela comida,
O barbudo trabalhador desempregado continua:
"- Eu que compus esta música. É pra brincar de guerreiro. Eu canto e danço. Gosto muito de brincar de guerreiro. Em todo lugar que tem, eu brinco de guerreiro."
E continuou cantando, enquanto andava:
"- Lá pros lado de Barreiros,
Lá na Usina Cucau,
O Coronel José Múcio,
Mandou pintar
Todos os caminhão de azul!...
Eu gosto de ser guerreiro! Eu Gosto de brincar de guerreiro!"

Onde os Reisados e Guerreiros,
Onde os caboclinhos,
Onde os Maracatús Rurais,
Da Zona da Mata Sul Pernambucana?
Onde as tradições de Palmares,
Antes rica e hoje pobre com tanta cana?

E na cultura, -voz dessa gente,
Há tanta coisa a ver deprimente:
- Os maracatus foram sufocados!
- Os caboclinhos estão acabados!
- Os guerreiros estão esfomeados!
- Os pastoris foram escanteados!
- Os Reisados foram descoroados!

Um camponês dançarino:
Um poeta brincante,
Esmolando, errante,
Com uma família, retrato da fome,
Bem ali, do outro lado da rua onde resido,
Na calçada, perto da esquina da Funerária Humanitária,
Tendo como trilha sonora
O som do apito da Usina Vitória,
Fumegando o lucro do usineiro,
Soprando fuligem nos ares que nos sufoca,
Vomitando vinhoto no Rio Una sofrido.
Ai meu Deus! Tanta coisa sem sentido!
E eu poeta, a soluçar em verso
Pelo que o povo é avesso,
Sem ver o rio que chora cego
Pela vinhaça ou vinhoto;
Sem ver que a Historia é repetida,
Mesmo sendo personagem um outro
Que pintou postes, meios-fios
E canteiros das praças,
Com o mesmo azul de cemitério
Dos caminhões da Usina Cucaú.
Não é brincadeira, falo sério!

O Guerreiro poeta pode ser preso, acusado de bandido
Por estar esfarrapado pelas calçadas.
Mas quem não cuida do meio ambiente, fica impune
E recebe títulos de benfeitor social e é escolhido candidato,
Junto com o outro que é coronelista e truculento de fato,
Aplaudido pelo povo que ele chamou de poeira.
Assim vive toda essa gente sem eira nem beira,
Robotizada pelo marketing depredador do entendimento,
Devido à falta de aculturação e educação;
Vitima de um Sistema cruel, depredador das tradições e patrimônio cultural.
Em nenhum outro lugar do mundo, nunca vi barbaridade e absurdo igual!

Terra de clãs temidos,
Famílias patriarcais.
Monarcas resquícios,
Coronéis de terras hereditárias:
Paranhos, Paiva, Miranda Maciel...
E outros brasões, poucos tantos mais,
Construtores das lendas senhoriais.

Hoje, a queda dos brasões
Cedeu lugar aos emergentes
E clãs formados por outras gentes
Vindas de outras terras agrestes,
Em busca da doçura do açúcar da Mata
E do clima de transição entre litoral e agreste
Para aqui também impor nova Lei inconteste
Sobre povo iludido, submisso da terra ingrata.

Se os Paranhos deixaram a terra e quiseram metrópoles,
Surgiu novo clã de família de camponeses a crescer:
Hoje, os Almeida Melo lideram o Império do Açúcar,
Das estivas dos maiores armazéns e até postos de combustíveis.
A esperteza, supera tradição de intelectualidade em todos os níveis.
Eita! Terra dos Poetas escanteados ou nos auto-exílios!
Do sepultado tradicional Clube Literário, em todo Brasil respeitado;
Hoje, cidade primeiro lugar nas estatísticas de violência do nosso Estado!

Sempre no quadro sócio-político se prova,
Pelo que o mando do poder econômico aprova.
E cada clã enriquecido, entra na luta infame
Da refrega sócio-politiqueira, crescente a cada instante
Pelo poder do mando e da manipulação das massas;
Como gado bovino, levadas ao abatedouro eleitoral.

É terra para gente de outras terras
E apenas poucos filhos dela, nela cresce.
Pela aculturação juvenil não se investe,
Os jovens são atraídos pela migração.
Ignorância leva à auto-punitiva maldição.
Sem espaços para bairrismos,
É um povo cujas esperanças
Não conhece xenofobismos:
Acolhendo, de braços abertos e supervalorizando
Quem aqui chega, com falsas palavras discursando.
Dando grandes espaços para alienígenas,
Fraudadores de mitos e falsas promessas.
E até em Japaranduba, da Família Paranhos,
Uma das terras mais temidas,
Vimos dependências da Rádio Quilombo
Fácil e rapidamente invadidas.
Mostrando que atualmente quem manda
É o clã dos Magalhães Lyra.

Solidariedade deixou de existir,
A não ser para quem a grana suprir
E mandar no ritmo da festa.
Que na rua, só para isso o povo presta
E ainda comemora no Bloco da Poeira,
Por ter sido comparado ao que é sujo,
Nojento e investe em toda porqueira!
Tudo gira em torno dos clãs senhoriais,
Das famílias Magalhães Lyra,
Coutinho e Almeida Melo;
Circulo vicioso, cruel pesadelo!
Cada um defendendo teóricos ideais,
Pelo poder do mando governamental,
Investindo em marketing fenomenal,
Na maquiagem dos nomes dos líderes
Que o povo espera seguir e resolver
Problemas do desemprego e da fome.
Tudo isso, desaculturação é o nome!

Época da volta de truculência coronelista,
Trucidamentos das tradições e do patrimônio cultural.
Poder econômico, a propaganda enganosa,
Falsos discursos prometendo ilusões;
Na usurpação do poder, nepotismo e plutocracia implantada,
Cujas armas é a calúnia,
O vilipêndio e a injúria.
Pisam nas Leis e compram frágeis lideranças
Entregues ao medo e à subordinação.
Não há espaço para quem cria e livre pensa.
E quem teima e a teimosa resistência intenta
É ridicularizado e discriminado
E pela corja servil acusado
De louco ou infame agitador.
E até meu verso de amor
É traduzido como subversor,
Mesmo sem fitas colorizadas
Pelas tendências ou facções partidárias políticas.
Mas vivo livre em consciência fiel às lutas artísticas!
© Jaorish Gomes Teles da Silva
Do livro QUIXOTESCÂNTICO

Palmares, 8 e 9 de março de 2006.
*
Comemorando o 130º Aniversário de Emancipação Política do Município dos Palmares - PE.
*

* Heranças de Rebeldia Quilombola



Quero gritar no meio da Mata,
Quero cantar no meio da praça!
Quero dizer sempre na hora exata
O que meu coração sente forte,
Até chegar o exalar da morte
Que num poeta não é concreto,
Pois a imortalidade em poesia
Faz-me eterno por divina magia.


Com o meu mais ferrenho desejo em verso,
Imprimo, na cega sociedade, minha nobre rebeldia
Herdada de guerreiros quilombolas
Desta terra de índios e negros rebelados;
Poucos citados nas fontes escassas da historiografia.
Sou artista, preciso marcar época e contar.
O que a tradição me repassa, versifico.
Através da Arte, o brado do meu povo é eterno.


Mas meu verso é justo e aqui concretizo
Os porquês de ser por meu povo bem quisto:
Canto embolada, xote, baião coco de roda, Aboio, loas de maracatu e reisado.
Faço se possível a maior presepada,
Mas não deixo minhas raízes culturais,
Nem quero nossa História desprezada,
Nem canto modas colonizadoras banais.

Defendo minha terra palmarina com afinco.
Escute com atenção porque eu não minto:
Sou filho da região onde a cana tombou palmeirais
Que inspiraram os negros rebeldes que unidos aos índios,
Lutaram contra os desmandos colonizadores senhoriais.
Assim foi o Quilombo dos Palmares por quase um Século,
Lugar de igualdade e fraternidade, resistência aos ímpios,
República de rebeldes em meio à Colônia de Monarquias.



Os canhões de Domingos Jorge Velho, derrubaram cercas,
Destruíram muros e vidas dos valorosos quilombolas amotinados.
Um grande crime aos Direitos Humanos, incalculáveis perdas
Num genocídio sem igual contra índios, negros e brancos rebelados.
Mas não conseguiram destruir os herdeiros dos negros enfezados,
Nem calar um ideal de liberdade expresso em canções e danças
Das nossas expressões populares, mantenedoras das esperanças
Do nosso povo brincante, na cultura mais diversificada do mundo.


O território conquistado pelos palmarinos,
Desde o Cabo de Santo Agostinho até o Rio São Francisco
Uma República com senso organizacional nunca antes visto.
Após aquele grande genocídio, as terras foram divididas.
Entre os soldados, burgueses e fidalgos, foram distribuídas.
E minha Cidade, sofreu impasses de comandos de coronéis e barões,
Teve nomes diversos, escolhidos pelos gostos de donos dos brasões,
Ao som dos badalos dos beatíficos sinos.


A Família dos Montes adquiriu a sesmaria
e nomeou o lugar com empáfia: Povoado dos Montes,
num jogo de cintura clerical para não milindrar.
E até para o culto da Santa Virgem Maria
Teve que ser a Nossa Senhora da Conceição dos Montes,
Não pelos montes que circundam o lugar, Mas pela família que ganhou a posse das terras,
Embora a Santa foi cultuada pelos quilombolas.


Há um incidente durante a Revolução Praieira,
Alguns casos engraçados sem eira nem beira,
Da passagem de Pedro Ivo e soldados atolados,
Num lamaçal, onde um corneteiro perdeu uma trombeta.
E o povo rebelde para se ver livre do nome da Família herdeira,
Aproveitou-se do fato e renomeou o povoado de Trombetas.
E sob a inspiração do rio poético, veio o Povoado do Una,
Em pleno surgimento do Clube Literário de marca profunda.

Tem a fase do implante do Escritório da Great Western,
Pelos idos de oitocentos e sessenta e dois, do for all
Entendido por forró pelos matutos cabras da peste.
Aqui ficou implantada a Estação Ferroviária do Una
Que prenunciava um movimento de revolta geral,
Instigada pelos poetas organizados, rebelados, em suma,
Chegando a conseguir o Distrito em oitocentos e sessenta e oito,
Mas os moradores do Vale do Una tinha algo muito mais afoito.

Lideranças queriam mais, e em oitocentos e setente e três,

sendo quinze anos antes da Abolição da Escravatura,

o nome proibido dos Palmares foi defendido mais uma vez

e foi criado o Município Autônomo dos Palmares.
Eis que a História é reconquistada com grande ventura.
Mas somente após seis anos de lutas dos escritores,
Aos nove de junho, em oitocentos e setente e nove,
Palmares foi Município emancipado, com foros de Cidade.



Em minhas veias circulam heranças de Cultura e Grandeza,
E como cantador e poeta, mato a cobra e mostro o pau,
Me arreto, dou cambalhotas, gingo capoeira e viro a mesa
Mas não arredo o pé do meu lugar, eu luto por minha terra
Como os poetas lutaram pelo nome da Cidade ser honrado
Novamente com o nome batizado pelo africano amotinado
e hoje ser conhecida como a tradicional Terra dos Poetas.
Palmares, eu te amo pelo valor cultural e lutas que encerras.


Palmares, 11 de agosto de 2005.
© Jaorish Gomes Teles da Silva



Do livro QUIXOTESCÂNTICO
*

Comemorando o 130º Aniversário de Emancipação Política do Município dos Palmares - PE.
Bandeira Municipal dos Palmares
Escudo de Armas do Município dos Palmares (autor: Telles Júnior)
*