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quarta-feira, 17 de julho de 2013

* Não serei bobo da corte de ninguém (sobre elaboração da Conferência Municipal de Meio Ambiente dos Palmares 2013)

Hoje, 17 de Julho de 2013  está acontecendo a 1ª Conferência Municipal do Meio Ambiente dos Palmares. Ontem foi a Abertura, como discursos, palestra...
Desde o início ficou clara a intenção: dar bases à intenção do Prefeito construir uma usina de reciclagem, algo confirmado quando no discurso ele afirmou ser contra os aterros sanitários e repetiu frases sobre como o lixo se transforma em dinheiro... Uma tentativa de aliar a visão dita SOCIALISTA dele com as necessidades de destino das 70 toneladas de lixo que o lixão de Palmares recebe diáriamente, e com as linhas de desenvolvimento capitalistas.
Por sua vez, a Vice Prefeita proferiu discurso centralizado na água, demonstrando como sentiu falta de ter o assunto como um dos temas da Conferência.
Não somente a água ficou de fora dos eixos abordados, mas também os desmatamentos, as destruições da arborização da zona urbana nos últimos anos... 
Palmares vítima de enchentes e depois de seca que inviabilizou fornecimento de água encanada... Mas o poder dominante quis tratar somente do assunto RESÍDUOS SÓLIDOS, algo também que deixa a desejar, visto que o lixo não é feito somente de resíduos sólidos (têm dejetos gasosos e líquidos).
O Rio Una transformado em esgoto a céu aberto... Água é matéria física influenciável pelos pensamentos e o nosso rio, além de receber influências das dejeções mentais dos polítiqueiros, recebe todos os esgotos da cidade sem tratamentos das matérias líquidas e pastosas das cozinhas e dos intestinos da população...
Rio Una precisa de RESPEITO!
Uma Conferência de Meio Ambiente cuja divulgação gráfica não foi feito com papel reciclado. Material plástico, adesivos em mensagens mas somente marcando o dito evento... Ontem na abertura o equipamento sonoro incomodando os tímpanos de quem estava num ambiente que não deveria ter aquele volume (antes de começar deveria ter som ambiente para  as pessoas poder conversar tranquilamente... Um amigo saiu antes mesmo do Prefeito discursar porque estava com ouvidos zunindo...
Na Conferência de Agricultura ouve estouros de fogos de artifícios durante vários momentos dos discursos (Secretaria de Meio Ambiente promoveu poluição naquele evento)...
Eu posso ser até mesmo exigente quanto a usos de equipamentos sonoros porque sou ator, Diretor de Teatro e Técnico de Palco (cenógrafo, sonoplasta, iluminador). Não necessito de equipamentos potentes para falar a grandes platéias (mas o auditório do Centro de Treinamento João XXIII não é grande a ponto de precisar aquela potência sonora). Esse pessoal que assessora políticos têm os maus costumes das campanhas eleitorais que ensurdecem os ouvidos sensíveis...
Mas hoje, sentado NO TRONO, no costumeiro ritual de desocupação de resíduos pastosos intestinais, eu descobri porque não tem ÁGUA como um dos temas dessa Conferência: ao terminar o ato defecatório e dar descarga, não tinha água. Fiquei sem poder tomar banho também. Algo que me atrasou para chegar à dita Conferência... 
Sufoco de pobre mesmo... Há um depósito de água com capacidade de 1000 litros no meu quintal, mas sendo de plástico, está furado diante do calor solar ao qual exposto desde 2001... Lá vai eu em busca de água guardadas em vasilhames garrafas peti existentes na área de serviço da casa... Banho de cuia... Outra coisa que desistimula sair de casa para uma Conferência onde não terá espaço para eu abordar esse problema crucial que aflige a nossa comunidade...
Em momentos assim a angústia, decepção se apoderam e tiram incentivos. Querem PARTICIPAÇÃO, mas dentro dos padrões que eles estipulam, de acordo com os interesses do Poder Dominante. 
Rio Una precisa de RESPEITO.
Há pessoas que reclamam dos desandamentos, não como opositores, mas querendo ajudar no TRABALHO de desenvolvimento sustentável.
Acompanho elaboração dessa Conferência há alguns meses, até mesmo a convite do Secretário de Agricultura e Desenvolvimento, o qual falhou em vários aspectos, principalmente por ter feito convites para PARTICIPAÇÃO de representantes do Fórum Permanente Regional de Economia Solidária da Mata Sul Pernambucana, na elaboração do evento, sobre o qual nos dedicamos voluntariamente e depois modificou tudo sem avisar e formando outra equipe... 
Ele pediu para fazer reuniões no Centro Cultural do GRUCALP e reservamos alguns dias para tal finalidade, durante toda a manhã. Paramos atividades com toda cordialidade, exibindo materiais que temos do nosso ESPAÇO TELA VERDE (sala de exibições de filmes ecológicos do Ministério do Meio Ambiente funciona em nosso Centro Cultural)... E nas reuniões que fizemos, elaboramos uma Conferência abordando o LIXO, a ÁGUA e ARBORIZAÇÃO. E com conteúdo nos brindes a serem oferecidos (cartilha ecológica sobre os temas específicos), participação artística, etc. Houve solicitação de pelo menos 10 minutos para o Jornal O OLHO exibir um curto documentário sobre os problemas de depredações ambientais em nosso município... Até composições poéticas musicais foram elaboradas, eu cumpri as tarefas que o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente do Município dos Palmares me pediu realizar!... As Reuniões citadas que ocorreram no Centro Cultural do GRUCALP têm registros em vídeos, fotos e em Atas dessas reuniões...
Se ainda restar dignidade nessa assessoria, um ressarcimento precisa ser feito, mesmo quando estavam na Reunião pessoas ativistas agindo por amor à vida que significa ser ativista ambiental.
Eu sou Membro do MESPE - Movimento Ecossocialista de Pernambuco, cujo Núcleo está instalado no Centro Cultural do GRUCALP.
Uma coisa deixo claro: Quem apregoa sobre RESPEITO não faz isso com representatividades comunitárias.
Sou artista ator. Acho um elogio quando me chamam de palhaço. Mas não me submeto a ser bobo da corte de ninguém!
Exponho aqui esse assunto por questões de TRANSPARÊNCIA! Quem está em cargos públicos o nome já diz tudo: é PÚBLICO = DO POVO! Então o povo tem que saber o que ocorre!

Jaorish Gomes Teles da Silva
Ator, Diretor de Teatro, Escritor poeta romancista cronista, Técnico de Palco (Cenógrafo, Iluminador, Sonoplasta, Cenotécnico).




sexta-feira, 12 de julho de 2013

* A Mata Atlântica (poema de Margarett Leite de Oliveira)

  • Hoje
  • Margarett Leite de Oliveira

    A MORTE DA MATA ATLANTICA



    A MATA ATLÂNTICA

    (POESIA DE MARGARETT LEITE) 


    CAETÉS ENCANTADOS
    CHORAM A MORTE DA FLORESTA
    OS IGAREPÉS EM LUTO
    ESTÃO NESTA FUNEBRE FESTA

    CHORAM IARAS E MÃE D’ÁGUA
    CHORAM OS SANGUIS E OS SAPOS
    POES A LAGOA SUMIU
    E NÃO HÁ MAIS SEU SUSTENTO

    RIOS E IGARAPÉS ESTÃO SOLTOS
    E SEM SEU RUMO
    O TIMBÓ ASSOREADO
    POR RESÍDUOS DE CIMENTO

    OS PEIXES ESTÃO MORRENDO
    E O PESCADOR SEM SUSTENTO
    NA TERRA QUE É PARAÍSO
    DO ENGENHO MARANGUAPE

    AS MEMÓRIAS NÃO SE CALAM
    AS ÁRVORES PERDERAM ESPAÇO
    E TOMBAM EM COVA RASA
    SERVINDO PARA O CIMENTO
    DE QUEM NÃO SE QUER MORADA

    ANJOS CHORAM A NATUREZA
    EUCALÍPTOS NÃO EXALAM
    O PERFUME DE PAULISTA
    A MATA ATLANTICA MORRE
    TODO DIA EM NOSSAS VISTAS.

    DIA DO ENGENHEIRO FLORESTAL _ QUE TAL OS ENGENHEIROS CUIDAREM DE PRESERVAR AS FLORESTAS E MATAS QUE ESTÃO TOMBANDO,LOGO , E EM POUCO TEMPO. NÃO TEREMOS MAIS FLORESTAS. A MATA DO RONCA ESTA SENDO DERRUBADA PARA TRAZEREM A MIRABILÂNDIA PARA PAULISTA. O QUE É QUE HÁ MEU PAÍS. SABEMOS QUE É CRIME A DERRUBADA DE UMA SÓ ÁRVORE DA MATA ATLANTICA. ALERTA ENGENHEIROS FLORESTAIS !! AFINAL É O SEU DIA.







    Invasões da orla marítima pela especulação imobiliária destruindo mangues ocasionou invasão das águas do mar. Os mangues são primordiais para o controle do avanço do mar e para a preservação da biodiversidade.
    Paulista - PE: Mata do Frio pede socorro!


    PRECISAMOS DE MUITOS ENGENHEIROS FLORESTAIS PROTESTANDO CONTRA ESSE CRIME PARA A NATUREZA. A MATA ATLÂNTICA SEGUNDO OS ENGENHEIROS FLORESTAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL E DE PRESERVAÇÃO NACIONAL E MUNDIAL PATRIMÔNIO TOMBADO É CRIME INAFIANÇÁVEL DERRUBAR UMA ÚNICA ÁRVORE, IMAGINE TODA UMA MATA. É O ÚNICO PATRIMÔNIO QUE TEMOS DE PRESERVAR PARA OS NOSSOS FILHOS E NETOS. ALERTEM-SE TODOS OS ENGENGEROS FLORESTAIS QUE SE FORMARAM COM VOCAÇÃO ..A NATUREZA É A ÚNICA FONTE DE VIDA PARA O HOMEM DA TERRA. MATA ATLÂNTICA É O LEGADO DO PAULISTA PARA O GRANDE RECIFE, O PULMÃO VERDE.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

* Não cansarei de reivindicar os Direitos de Saúde auditiva da nossa gente!

O que reivindiquei, reclamei sobre poluição sonora foi direcionado a todos os candidatos que desrespeitaram a saúde auditiva dos cidadãos. Atendi pedidos de vizinhos (idosos e recém nascidos que têm audição sensível e necessitam repousar), da minha família (minha mãe é hipertensa).
E inseri na programação da Webradio colmeia Grucalp vinhetas do Ministério Público sobre questões concernentes ao assunto abordado. Além de colocar observações sobre os exageros de volumes sonoros de carros de sonorização, na linha do tempo de candidatos. 
Quem me acusou de agressão não reconhece que agredido é quem tem os direitos de saúde e de privacidade invadidos. Poluição sonora prejudica a audição, o sistema nervoso, o sistema digestivo, como comprovado por especialistas e até as recomendações do Ministério Público em vinhetas e vídeos expicam!
Tudo que defendi foi centralizado na Lei. 
Vejam os artigos publicados pelo site do Ministério Público de Pernambuco:
Alerta contra poluição sonora

Em medida preventiva para impedir os abusos e irregularidades repetidamente provocadas nos pleitos eleitorais, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) expediu, ontem, recomendação aos candidatos, coligações, proprietários de carro de som e coordenadores de campanhas, no Recife - que pretendam realizar propaganda eleitoral por instrumentos sonoros -, na qual adverte para que se abstenham de instalar alto-falantes, cornetas ou qualquer fonte de ruídos em área pública.

A orientação do MPPE abrange o uso de caixas de som, aparelhos musicais ou equipamentos sonoros de qualquer natureza em veículos em geral, exceto se houver autorização do Poder Público, inclusive do órgão de trânsito municipal. A recomendação baseia-se, principalmente, na instrução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a propaganda eleitoral das eleições de 2012, especificamente nos artigos sobre condutas ilícitas em campanha. Os infratores podem ser enquadrados nas penas do Código Eleitoral.
Confira isso e muito mais no site http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/clipagem20121107_alerta 
E outro alerta sobre poluição sonora na Mata Sul de Pernambuco: http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/31072012_barreiros_sojos

Segundo o texto, eu ou qualquer outro cidadão poderia denunciar quem fizesse baderna sonora, porém eu quis resolver com o diálogo, não entrei com ação de queixa judicial. Eu não quis denunciar nem prejudicar nenhuma campanha eleitoral e apenas fiz uma divulgação para que o esclarecimento vigorasse.
Inicialmente não citei nenhum nome, apenas preveni que se a poluição continuasse, eu citaria nomes, até que um dia comecei a citar, sem paixões partidárias!

Portanto, ridículo esse expediente de militantes ou simpatizantes desse ou daquele candidato se fazer de vítima e dizer que eu ataquei eles. Atacam aqueles que infigem a Lei! E continuarei reclamando!
Os candidatos que incomodaram foram tão mal educados que não leram as observações e as Leis que publicamos e divulgamos em postagens aqui no facebook e nos blogs, e não seguiram recomendações para evitar exageros.
Não tenho vínculos com nenhum deles e não temo reclamar sobre a falta de educação, desrespeito gerado no atual pleito eleitoral. Principalmente de quem tem como slogan o RESPEITO e a EDUCAÇÃO e todos se dizendo defensores da LIBERDADE e Direitos da nossa gente.

Eu viajei para cidades onde durante período de campanhas eleitorais há total respeito. Pude telefonar, conversar nas calçadas tranquilamente, enquanto carros de sonorizações de propaganda política passavam sem incomodar, respeitando o limite de decibéis dos volumes sonoros.
Se em alguns lugares poderia ocorrer isso, então porque em nossa cidade não poderia? Desta forma estamos vendo um caos de desmandos e desobediências e desrespeitos. E são essas pessoas que almejam liderar nossas comunidades?

Políticos como qualquer líder devem educar ao povo e não estimular exaberbações.
Políticos como qualquer lider devem exemplificar e não ser os maus exemplos de desrespeitos às Leis e aos Direitos prementes de saúde e invasão de privacidade, quando forçosamente seus sons ensudecedores penetram nossas residências, tirando nossa tranquilidade, numa agressão impedindo telefonemas, conversas, assistir tv, ouvir nossas preferências musicais e transformam nossos ouvidos em penicos!
Aos exaltados fanáticos que comentam nossas postagens com piadas e achincalhamentos, nossa compreensão porque são vítimas da falta de educação e sem oportunidades culturais. São fantoches dessas estratégias mesquinhas de marketing manipuladoras de uma gente carente de educação política e por este motivo fácil de se manipulada e levada nas folias mascaradoras das reais intenções e elucubrações golpistas socio politiqueiras!
 
 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

* HOMENAGEM AOS ÍNDIOS!


 
O índio chorou


(inspirado nas lágrimas derramadas provocadas em todos seres humanos sensíveis ao saber da liberação da Presidente Dilma para a construção da barragem de Belo Monte).

Os rios que choram
Derramam lágrimas dos olhos das matas
Que vertem canto tristonho das fadas
Irritação de venenos de humanos desumanos
Mas o progresso com seus afazeres insanos
Não dão margem para o livre soluçar
Dos rios que choram.

Os rios que choram
Antecipando aprisionamento das águas
Inundando criminosamente belos miomas
Reagem cachoeiras de lágrimas tristonhas
Na face de um índio não encontra represa
E a cada face que por tal crime deságuam lágrimas
Muito mais rolarão águas das faces dos algozes
Pois quem da natura saqueia direitos ferozes
Terão cobrados triplos sofreres pela eternidade
As forças naturais reagirão e cobrarão
E os arrependimentos serão tardios
Pelos rios que choram



Obs.: Eu me inspirei numa foto divulgada na internet. Mas o valoroso Cacique Raoni divulgou uma carta dizendo que não chorou, mas quem vai chorar será a Presidente Dilma. Respeitando o posicionamento dele, retirei o oferecimento do poema direcionado à foto. Mas fica o oferecimento às lágrimas de crianças e índias e todos os lutadores em prol da biodiversidade e contra esse projeto genocida. (Jaorish). Eis a carta:



Um Índio falou na mata



Eu fui na mata
Eu corri na mata
Bom ir na mata
Sem ter na mão a arma que mata
E ser acolhido pelo canto de fada
E aparecer um índio cantando
Um canto de prece acolhedor
Para o nosso Belo Santo Senhor.

E assim ao chegar na mata
Ao sentir meu amor pela Natureza
Ao me ver meditando na clareira
Da mata acolhedora entre as árvores
Um índio me falou em cânticos de elevada prece.
Foi canto triste que os pássaros calaram
Foi um canto melancólico que aos puros enternece
Ele falou sobre a tristeza da alma da mata
Ele contou sobre as lágrimas do Criador
Pela falta desumana e todo o desamor,
E me pediu para divulgar pelo mundo seus lamentosos clamores:
“Coloquem a Criação acima de todos os teus ilusórios amores!
Amem os irmãos pássaros e não depredem as matas!
Amem os irmãos animais e não destruam seus lares!
Amem as flores e frutos e não se alimentem dos irmãos animais!
Amem a Vida nos irmãos como amam suas próprias vidas!
E com a força de todos as boas ações e sensações sentidas
Preservem a Vida da Natureza com a força de auto preservação.
Dêem espaços para as flores e árvores nas suas florestas de concreto.
Qualquer espaço é lugar de um sorriso de flor, em cada canto da casa,
No peitoral da janela, no telhado da casa, e em qualquer calçada.”

E enquanto o índio assim falou
Lágrimas denunciaram que chorou
Mas ele não se envergonhou
De defender a Mãe Terra que agoniza
E no clarear da Luz que a todos diviniza
O Índio se foi enquanto as árvores cantavam
“Vai, leva nosso clamor em cânticos poéticos
E tenta implantar nos corações humanos
O Amor Incondicional que salvará esta Terra”.
E acordei deste sonho revelador iluminado
E hoje o Índio ainda brinca à minha janela
Sempre visto em minha Divinal Estrela.



Índios não são sem educação e não são irracionais. De que vale toda a dita "educação do civilizado" quando depreda matas e envenena o meio ambiente com os tóxicos do chamado progresso das cidades?
Eis aqui um exemplo da Ética Ecológica indígena que ultrapassam tempos dos Séculos:
A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."