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sexta-feira, 12 de julho de 2013

* Candidato a Nobel de Literatura vive me penúrias em Porto Alegre

Luiz de Miranda alega viver em completa misériaFoto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Candidato ao Nobel de Literatura vive em condições precárias em Porto Alegre


Luiz de Miranda alega viver em completa misériaFoto: Mauro Vieira / Agencia RBCandidato ao Nobel de Literatura vive em condições precárias em Porto Alegre

Situação do poeta gaúcho Luiz de Miranda foi revelada pela coluna de Sant’Ana


Vivendo em condições precárias, Luiz de Miranda solicita uma pensão do Estado. À espera do resultado de um processo de despejo devido a falta de pagamento, o poeta já se prepara para deixar o apartamento onde vive.
Sem ter para onde ir, Miranda enviou uma carta ao colunista Paulo Sant’Ana, que tornou sua situação pública na edição de domingo de Zero Hora. O escritor alega viver em completa miséria. Em seu apartamento no bairro Partenon, as paredes descascam e a cozinha perde os azulejos.
Segundo Miranda, há quatro anos tem feito apenas uma refeição por dia. Diz que dois anos atrás o prefeito José Fortunati havia lhe prometido uma pensão mensal, mas isso nunca se concretizou. Procurada por ZH, a assessoria do prefeito informou que, em função do incêndio no Mercado Público, só falaria sobre o caso hoje.
A sugestão da pensão partiu do secretário da Smic, Humberto Goulart, há cerca de três anos:
– A prefeitura ajudou três pessoas de destaque cultural da cidade. Primeiro foi a cantora Lourdes Rodrigues, depois, Plauto Cruz, que ganhou uma aposentadoria pequena, e, por último, o fotógrafo lambe-lambe Varceli Freitas Filho – explicou o secretário.
Goulart afirma que a sugestão foi acolhida pelo prefeito, mas interrompida antes de chegar à Assembleia Legislativa. Ele explica que propostas como essa precisam partir do Executivo.
– Sugeri para o prefeito sabendo que ele (Luiz de Miranda) se dedica em tempo integral à poesia. Seria apenas um salário mínimo, mas daria para poder se alimentar.
Entre 1968 e 1978, Miranda trabalhou por períodos curtos em diversos veículos de comunicação. Envolveu-se com política e de 1990 à 1994 foi coodernador de Projetos Especiais do governo estadual. Hoje recebe, como aposentadoria, um salário mínimo.
– Não dá nem para comprar remédios. Tomo três para pressão alta, mais três para diabetes e ainda um para insônia crônica – explica.
Com 68 anos e natural de Uruguaiana, o poeta é extremamente produtivo: publicou 34 livros e, ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios. Desde 1987, é membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Neste ano, Miranda está na lista de indicados ao Prêmio Nobel de Literatura. Seu nome foi aceito pela Academia Sueca a partir de uma indicação da PUCRS, intermediada pelo professor Eduardo Jablonski, autor de Luiz de Miranda: O Senhor da Palavra (EdiPUCRS, 2010). O gaúcho compete com 194 indicados por um prêmio que ultrapassa US$ 2 milhões.
A notícia repercutiu no âmbito cultural. Procurados por ZH, alguns escritores se manifestaram:
– Deveriam se juntar para ajudá-lo. Não é justo que alguém que se dedicou tanto à poesia e à literatura esteja nesse estado. – comentou a escritora Cinthia Moscovich.
O secretário de Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil, lembrou do caráter do poeta:
– Lamento que um ser humano, um artista, esteja nessa situação adversa. Por várias vezes, os amigos o ajudaram. Por outro lado, a idade o impede de seguir trabalhando. Entendo que a campanha, ora desencadeada pelo Paulo Sant’Ana, terá pleno êxito junto ao público leitor de Luiz de Miranda.
Fabrício Carpinejar entende a situação por outro viés:
– O Miranda sempre viveu nesse sobressalto financeiro, dependendo dos outros. Acho que ele está se aproveitando da questão do poeta sem condições, essa sombra do Quintana. O poeta não é semideus. O Estado não tem obrigação de sustentá-lo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

* Alerta para o risco da expansão do “Estado policial”

A socióloga Vera Malaguti Batista alerta para o risco da expansão do “Estado policial” e da gestão militar da vida dos pobres

A polícia segue a lógica da guerra e da ocupação de territórios inimigos, avalia especialista (Fabiano Rocha / Extra / Ag. O Globo)
A polícia segue a lógica da guerra e da ocupação de territórios inimigos, avalia especialista (Fabiano Rocha / Extra / Ag. O Globo)

por Rodrigo Martins - Carta Capital
Os espetáculos de truculência e despreparo das polícias estaduais na repressão às manifestações, somados à barbárie cotidiana nas favelas e periferias das grandes cidades, fizeram ressurgir a bandeira da desmilitarização das polícias. Uma proposta muito distante da realidade, lamenta a socióloga Vera Malaguti Batista, secretária-geral do Instituto Carioca de Criminologia e professora da Universidade Cândido Mendes. Antes disso, sugere a especialista, é preciso interromper é a expansão do chama de “Estado de polícia”. “Precisamos parar de acreditar que vamos resolver os problemas do Brasil com mais polícia e repressão”, diz Batista, organizadora do livro Paz Armada, Criminologia de Cordel, lançado em 2012 pela Editora Revan. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.
CartaCapital: Como a senhora avalia o comportamento das polícias durante os protestos do último mês?

Vera Malaguti Batista: A polícia se comportou como costuma se comportar. Só que dessa vez o alvo da truculência era diferente, o público era outro. Os manifestantes eram, em sua maioria, jovens de classe média e brancos. Cada vez que um ônibus é incendiado na favela, o episódio é tratado pela mídia como um ato de vandalismo ou terrorismo. Mas por trás daquele veículo em chamas, quase sempre há um episódio anterior de violência policial, um assassinato. Trata-se de uma forma de protesto desesperada. A classe média se deparou nas ruas com uma forma de atuação policial normalmente dirigida aos pobres, aos moradores de bairros periféricos. Não há nada de novo.
CC: O que explica essa cultura da truculência?


VMB: O coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, comandante da PM do Rio de Janeiro nos dois governos de Leonel Brizola e assassinado em 1999, dizia que o trabalho policial no Brasil ficava entre o saber jurídico e o saber bélico. Este último está subordinado à lógica das Forças Armadas, na qual o objetivo de uma ação é sempre conter ou eliminar um inimigo. Mas as técnicas e os métodos de policiamento deveriam ter um corpo teórico à parte, o mais afastado possível do paradigma bélico. Não estamos em guerra tampouco enfrentando inimigos nas ruas. A questão central é: a quem a polícia deve servir? Nos Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Cuba, as técnicas e métodos da polícia compõem um corpo teórico bastante distinto da teoria bélica. Há manuais internacionais de controle de distúrbios, discussões sobre o uso legítimo e o uso excessivo da força, padrões de abordagem.
CC: E no Brasil?

VMB: Aqui, a lógica é outra: ocupação do território inimigo. Na medida em que a criminalidade foi caminhando para o centro da política e a mídia começou a criar certa histeria nacional, as pessoas passaram a aceitar como normais e depois a aplaudir ações de guerra. Os mesmos cidadãos que criticavam a violência da ditadura passaram a justificar certos abusos da polícia no regime democrático. A ordem é partir para cima de qualquer forma. Se o policial matar, não tem galho. Registra o homicídio como auto de resistência. Ao mesmo tempo, de forma maluca, há uma expansão do número de policiais. Outro dia vi o governador do Rio, Sergio Cabral, todo orgulhoso dizendo que ele colocou nas ruas 6 mil novos policiais por ano, enquanto no passado não passavam de 500 por ano. Eu considero isso uma notícia apavorante. É o que eu chamo, no meu livro, de Estado de polícia. Mas a classe média ainda não se deu conta disso.
CC: Em recentes protestos na periferia de São Paulo e no Complexo da Maré, no Rio, alguns cartazes alertavam: “A polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela”.

VMB: Tome o exemplo do massacre na Maré. A ação de meia dúzia de pequenos traficantes e a morte de um sargento do Bope, a tropa de elite da polícia fluminense, deu uma espécie de carta de carta branca para a polícia promover uma chacina na favela. Isto, sim, foi uma verdadeira ação terrorista. Revela um despreparo total, uma tropa enlouquecida, disposta a tudo. E a mídia incentiva este tipo de postura. Cria slogans como “combate ao crime”, “guerra às drogas”, “batalha contra o crack”. Hoje, São Paulo tem um efetivo de 100 mil policiais. O Rio tem mais de 60 mil. Todos os anos, os diferentes governos jogam nas ruas milhares de trabalhadores armados com pouca ou nenhuma formação. E há uma enorme plateia aplaudindo essa política, demandando mais truculência. Um dos grandes equívocos dos governos do PT foi ter permitido, e até incentivado, a expansão do Estado de polícia. Como diz o historiador Joel Rufino dos Santos, o que precisamos ser: guardiões da ordem ou dos direitos humanos?
CC: Ter mais policiais nas ruas é um problema?

VMB: Sem preparo, sim. É preciso pagar melhores salários, melhorar a formação dos policiais. Aquele homem fardado, no meio de uma multidão enfurecida, adestrado para a guerra e sem saber como lidar com civis, também vive um grande dilema.
CC: É o caso de levantar a bandeira da desmilitarização da polícia, como alguns manifestantes têm sugerido?

VMB: Estamos tão distantes disso… A primeira coisa que precisamos interromper é a expansão do Estado de polícia. Parar de acreditar que vamos resolver os problemas do Brasil com mais polícia e repressão. Esse é o consenso da sociedade hoje. Precisamos de muitas prisões, penas mais duras para os criminosos. Em algum momento essa política de encarceramento em massa vai ruir, não tem como se sustentar. Antes de colocar mais policiais nas ruas, é preciso repensar o que queremos. Viver num Estado de polícia ou num Estado de direito? São coisas antagônicas. Como ressalta o jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, ‘o estado de direito é concebido como o que submete todos os habitantes à lei e opõe-se ao estado de polícia, onde todos estão subordinados ao poder daqueles que mandam’. Hoje, não tenho dúvidas de que vivemos neste segundo cenário.
CC: A senhora é uma crítica ferrenha das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio, que contam com ampla aprovação da população, segundo pesquisas. O que há de errado no modelo?

VMB: É um projeto de alta concentração de forças militarizadas em áreas pobres. Se fosse um programa para a segurança pública do Rio de Janeiro, ele não poderia ser direcionado só para as favelas. A UPP é uma gestão policial da vida dos pobres. Transforma a polícia como principal política pública, acima de todas as outras. Não vejo dessa forma. As pessoas se sentem seguras quando têm transporte, alimentação, limpeza urbana. Além disso, esse modelo de controle territorial está inserido num paradigma bélico. Segurança pública não é guerra tampouco disputa territorial. A UPP parece uma invenção de Sergio Cabral ou do seu Secretário de Segurança Pública, mas o modelo foi testado em outros lugares do mundo e fracassou. O projeto foi vendido aqui como panaceia, uma espécie emplastro Brás Cubas, destinado a curar todos os males da humanidade, nos delírios do célebre personagem de Machado de Assis.
CC: Onde mais esse modelo foi adotado?

VMB: Em Medellín, os pesquisadores do Observatorio de Seguridad Humana têm uma série de estudos e estatísticas que revelam os equívocos desse modelo de ocupação militarizada em áreas pobres da Colômbia. O geógrafo Milton Santos ressalta que a aposta na “recuperação de territórios” remete ao conceito bélico norte-americano e israelense de ocupação de territórios estrangeiros. Sim, porque os governos dos Estados Unidos e de Israel não têm coragem de impor esse mesmo modelo dentro de casa, para a sua própria população.
CC: Vende-se a ideia de que a UPP é um modelo de policiamento comunitário.

VMB: UPP não é policiamento comunitário, é uma tomada de território por forças militarizadas. Algo muito semelhante ao que ocorre na Palestina, no Iraque, no Afeganistão. O coronel Nazareth Cerqueira foi um dos primeiros a implantar o policiamento comunitário na América Latina nos anos 1980. O projeto tinha no horizonte a ideia de o policial estar próximo, mas não metendo o pé na porta. O oficial deveria ser acessível, próximo para atender às demandas da população. Mas nunca para impor sua disciplina, o protagonista era a população.
CC: O que é a vida em uma favela “pacificada”?

VMB: O tipo de atuação policial que se faz nas favelas ocupadas pela polícia no Rio só poderia ser feita na zona sul da cidade caso o governo decretasse “estado de sítio”. Há toques de recolher, abordagens ostensivas, invasão de domicílios sem mandado judicial, a proibição de tudo. Os moradores do morro do Cantagalo costumam reclamar que os bares de Ipanema ficam abertos a noite toda, mas as biroscas da favela têm horário para fechar. Para fazer uma festa em casa, o morador de lá tem de pedir autorização. Se fosse uma experiência de policiamento comunitário, como cinicamente costumam dizer, as intervenções deveriam ocorrer em todo o bairro de Copacabana, não apenas nas favelas dali.
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Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

* As políticas e leis para negros e indígenas se tornaram nulas

revista-espelho-negro
Reginaldo Bispo – CENPAH
A Seppir convocou neste fim de semana, dia 06 e 07 de julho, uma reunião, com mais de 50 pessoas, de vários estados, para debater a conjuntura brasileira, para compor um documento orientador para o III Conappir.
Antes de aceitar o convite, consultei cerca de 20 pessoas de vários estados sobre a conveniência de aceitar ou não o convite. Foi unânime a posição de que devêssemos ir e ver do que se tratava.
O tema geral: Democracia e Desenvolvimento sem racismo, por um Brasil Afirmativo. Os subtemas:
  1. Elementos centrais da conjuntura;
  2. Efeitos das mudanças políticas recentes na sociedade e no estado, do ponto de vista do enfrentamento do racismo;
  3. Quais desafios a serem enfrentados?;
  4. As estratégias para superação dos desafios, na perspectiva do enfrentamento ao racismo e a Promoção da igualdade racial?
Houve de tudo, de generalização da denuncia do governo, até por alguns petistas, à defesa do governo, passando por reivindicações de demandas especificas. No geral, fizemos uma avaliação da situação do povo negro frente a um pais mobilizado, constando desde posições que manifestam desconfianças nos protagonistas, maioria classe media branca, “convocada pela mídia branca”, até o reconhecimento do feito espetacular, do qual fizemos parte e que devemos ampliar a expressão da nossa presença de maneira identificada.
Surpreendeu-nos as reclamações dos profissionais da Seppir e da Fundação Palmares, quanto ao engessamento burocrático de ambas instituições, por não priorização, do segmento negro, por desinteresse do governo como um todo
Diante das críticas ao governo Dilma e à Seppir, a ministra mostrou-se receptiva, reconhecendo as dificuldades, justificando com a informação das reuniões e ações com setores de mulheres negras, quilombolas, saúde da população negra, o juventude viva, discriminação religiosa, saúde da população negra, apontando porém as dificuldades burocráticas de ordem operacionais, para liberação de verbas e para acompanhamento dessas ações, uma vez que elas são implementadas por outros ministérios.
Há um consenso quanto ao afastamento do governo Dilma das demandas e reivindicações populares e de negras e negros. A aprovação e institucionalização de inúmeros programas como: Titulação Quilombola; Lei 10.639; Zumbi no panteão dos heróis nacionais; Dia da consciência Negra; Cotas raciais, Estatuto da Igualdade e outras, que depois se tornaram políticas nulas, uma vez relegadas ao desprezo por falta de prioridades e verbas para atendê-las. Quase ninguém ousou contestar isso, no máximo, petistas defenderam a importância do avanço da institucionalização das mesmas.
As avaliações e as criticas mostraram no final, que diante das prioridades e escolhas do governo em governar com e para o poder econômico, setores da direita, latifundiários e evangélicos, o governo abandonou as prioridades da maioria do povo. Dilma, achando-se garantida pela popularidade pessoal e de seu governo, contribuiu para as atuais contestações, tornando-se refém da própria armadilha e das escolhas. Colhendo a oposição do povo nas ruas e sem apoio dos amigos capitalistas e no congresso.
Questões como Racismo religioso; Não cassação de concessões de radio e TV, que fazem proselitismo racista e anti povo; Precariedade do sistema prisional; Ausência de uma política de segurança diferente de apenas policia nas ruas; ausência de posição explicita contra a minoridade penal; Falta de Ações objetivas de combate ao genocídio; Abandono de protocolos e práticas na saúde em benefício da população negra; Paralisação da titulação dos territórios quilombolas e indígenas; ausência de interesse e prioridade na implementação da lei 10.639; são indicativas dessas escolhas em beneficio de corporações políticas e do poder econômico, como: Do agronegócio, banqueiros, latifundiários e agronegócio exportador, indústria de turismo, a grande mídia capitalista e evangélicos.
Discutiu-se também, o que seria desenvolvimento para o combate ao racismo e a melhoria de vida da maioria do povo; sobre a natureza do estado que contempla minorias ou as maiorias, de acordo com frase de Nelson Mandela. Ficando demonstrado que Estado de direito; Democracia representativa e desenvolvimento econômico, pode transformar-se em grandes males aos interesses do povo, se eles não conhecem sses conceitos e não têm convicção do que querem. Favorecendo uma elite política capitalista e voraz que explora o patrimônio publico em beneficio próprio, ao invés de pra maioria do povo.
Há confusão e pouco conhecimento do que seja, e sobre qual a origem da atual correlação de forças. A negação (implícita de alguns), da responsabilidade dos próprios governos do PT, tentando justificar as alianças como inevitáveis. Por não conhecer a história, ou por não compreender conceitos e aspectos fundamentais da política, o que indica imaturidade e falta de compreensão estratégica. De todo modo, a maioria parece ter compreendido que para avançar é preciso ir pra rua e demonstrar as insatisfações e demandas, fortalecendo os atuais protestos, é o único caminho para a população negra.
A maioria se opõe ao capitalismo e ao fascismo, que faz com que as representações, independente de partidos, se reivindiquem de esquerda. O Problema é o que se faz dessa condição ideológica, e como atuar a partir dessa posição.
Foi eleita uma comissão com 07 pessoas, de entidades das cinco regiões do país, para revisarem e chancelar o documento, que a Seppir deve remeter-lhes nos próximos dias. O Resultado das discussões comporão as orientações para a discussão nos Conappir Estaduais.
Finalmente, em uma reunião das entidades locais e nacionais, mais atuantes, decidiram enumerar uma pauta emergencial, baseada em questões como:
Violência e descaso da política carcerária;
O fim dos autos de resistência;
A titulação das terras quilombolas;
O racismo religioso;
A política de comunicação do governo e  as concessões públicas de TV e Rádio, para igrejas e políticos racistas;
A política de saúde para a população negra, reivindicando uma audiência com Dilma e os seus principais ministros, exigindo cumprimento de compromissos e a solução destas questões.
Como podem ver, a maioria das discussões, coincidência ou não, passam de alguma maneira pelos 18 pontos de demanda que o Manifesto de Negros e Negras Organizados Lutando por seus Direitos trata, demonstrando que o manifesto os sensibilizou, ou que há um consenso natural, e portanto um acerto do manifesto quanto as necessidades históricas e prementes para nosso povo.
*Participante da compilação do manifesto resultante do acúmulo de debates dos negros nas últimas décadas,  presente na reunião das entidades e lideranças Negras com a Seppir neste fim de semana, 6 e 7 de junho de 2013.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

* HOMENAGEM AOS ÍNDIOS!


 
O índio chorou


(inspirado nas lágrimas derramadas provocadas em todos seres humanos sensíveis ao saber da liberação da Presidente Dilma para a construção da barragem de Belo Monte).

Os rios que choram
Derramam lágrimas dos olhos das matas
Que vertem canto tristonho das fadas
Irritação de venenos de humanos desumanos
Mas o progresso com seus afazeres insanos
Não dão margem para o livre soluçar
Dos rios que choram.

Os rios que choram
Antecipando aprisionamento das águas
Inundando criminosamente belos miomas
Reagem cachoeiras de lágrimas tristonhas
Na face de um índio não encontra represa
E a cada face que por tal crime deságuam lágrimas
Muito mais rolarão águas das faces dos algozes
Pois quem da natura saqueia direitos ferozes
Terão cobrados triplos sofreres pela eternidade
As forças naturais reagirão e cobrarão
E os arrependimentos serão tardios
Pelos rios que choram



Obs.: Eu me inspirei numa foto divulgada na internet. Mas o valoroso Cacique Raoni divulgou uma carta dizendo que não chorou, mas quem vai chorar será a Presidente Dilma. Respeitando o posicionamento dele, retirei o oferecimento do poema direcionado à foto. Mas fica o oferecimento às lágrimas de crianças e índias e todos os lutadores em prol da biodiversidade e contra esse projeto genocida. (Jaorish). Eis a carta:



Um Índio falou na mata



Eu fui na mata
Eu corri na mata
Bom ir na mata
Sem ter na mão a arma que mata
E ser acolhido pelo canto de fada
E aparecer um índio cantando
Um canto de prece acolhedor
Para o nosso Belo Santo Senhor.

E assim ao chegar na mata
Ao sentir meu amor pela Natureza
Ao me ver meditando na clareira
Da mata acolhedora entre as árvores
Um índio me falou em cânticos de elevada prece.
Foi canto triste que os pássaros calaram
Foi um canto melancólico que aos puros enternece
Ele falou sobre a tristeza da alma da mata
Ele contou sobre as lágrimas do Criador
Pela falta desumana e todo o desamor,
E me pediu para divulgar pelo mundo seus lamentosos clamores:
“Coloquem a Criação acima de todos os teus ilusórios amores!
Amem os irmãos pássaros e não depredem as matas!
Amem os irmãos animais e não destruam seus lares!
Amem as flores e frutos e não se alimentem dos irmãos animais!
Amem a Vida nos irmãos como amam suas próprias vidas!
E com a força de todos as boas ações e sensações sentidas
Preservem a Vida da Natureza com a força de auto preservação.
Dêem espaços para as flores e árvores nas suas florestas de concreto.
Qualquer espaço é lugar de um sorriso de flor, em cada canto da casa,
No peitoral da janela, no telhado da casa, e em qualquer calçada.”

E enquanto o índio assim falou
Lágrimas denunciaram que chorou
Mas ele não se envergonhou
De defender a Mãe Terra que agoniza
E no clarear da Luz que a todos diviniza
O Índio se foi enquanto as árvores cantavam
“Vai, leva nosso clamor em cânticos poéticos
E tenta implantar nos corações humanos
O Amor Incondicional que salvará esta Terra”.
E acordei deste sonho revelador iluminado
E hoje o Índio ainda brinca à minha janela
Sempre visto em minha Divinal Estrela.



Índios não são sem educação e não são irracionais. De que vale toda a dita "educação do civilizado" quando depreda matas e envenena o meio ambiente com os tóxicos do chamado progresso das cidades?
Eis aqui um exemplo da Ética Ecológica indígena que ultrapassam tempos dos Séculos:
A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."



segunda-feira, 18 de maio de 2009

* Prefeitura do Recife desrespeita escritores!


TV Universitária repercute luta da UBE pelo terreno dos escritores pernambucanos

Na 2ª feira passada, dia 11 de maio, em gravação para a TV Universitária, o escritor Alexandre Santos, presidente da UBE, afirmou que a doação do terreno da UBE pela prefeitura para a CPRH não é uma questão jurídica e, sim, uma questão política. "Ao doar o terreno da UBE para a CPRH, o ex-prefeito João Paulo manifestou descaso com os escritores. Não adianta, agora, seus simpatizantes evocarem filigranas jurídicas para justificarem o ato. O que está claro é o desrespeito aos escritores e, por extensão, a cultura pernambucana", afirmou o presidente da UBE.

Escritores se manifestam no Blog 'Acerto de Contas'

Ainda repercute a matéria 'A lambança de JPLS com a UBE' publicada pelo blog 'Acerto de Contas' em 08 de maio sobre a agressão da prefeitura do Recife contra os escritores pernambucanos. Desde então, o blog, que, na ocasião, declarou apoio a luta pela preservação do patrimônio da UBE, vem sendo visitado por escritores de todo o estado. Muitos deles deixaram mensagens de apoio a luta pela preservação do patrimônio dos escritores. Clique aqui e leia a matéria completa. Ao final da matéria, na parte mais baixa da barra de rolagem, há um espaço para opiniões.

ESCÁRNIO COM A CULTURA PERNAMBUCANA

CPRH mantém lixo no terreno dos escritores pernambucanos
Desde 04 de maio, a CPRH vem usando o terreno dos escritores pernambucanos como lixeira de veículos semi-destruídos, que são usados para bloquear o acesso da sede ao estacionamento.
Diretoria acompanha luta pela preservação do patrimônio dos escritores pernambucanos
Na 3ª feira passada, dia 12 de maio, em comunicado por ocasião da reunião mensal da diretoria da UBE, o escritor Alexandre Santos apresentou relatório sobre o estágio da luta para preservação do patrimônio do escritores pernambucanos. A diretoria da UBE aprovou a intensificação dos esforços com vistas ao restabelecimento do terreno da UBE.
Israel Guerra assume patrocínio da causa em defesa do terreno dos escritores pernambucanos
Na próxima 4ª feira, dia 20 de maio, o jurista Israel Guerra vai apresentar a peça que produziu para defender o interesse dos escritores pernambucanos, na rua de Santana, em Casa Forte.
Curtinha
O acadêmico Waldênio Porto está entre os escritores pernambucanos que firmaram lista de apoio a luta da UBE pela preservação do patrimônio dos escritores pernambucanos.
UBE precisa do apoio da sociedade para preservar o patrimônio dos escritores pernambucanos
A UBE conclama o apoio da sociedade para preservar o patrimônio dos escritores pernambucanos. Todos podem ajudar: comentando o assunto, manifestando publicamente o apoio ao nosso esforço, etc. Os advogados que quiserem se engajar podem se manifestar pelo fone (81) 9975-7364 ou pelos e-mails alexandresantos@br.inter.net ou ube@hotmail.com.