sábado, 9 de junho de 2012

* Heranças de Rebeldia Quilombola (poema de Jaorish)!

EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DOS PALMARES (1879-2012) UM RESUMO EM VERSOS DA HISTÓRIA DA NOSSA TERRA DOS POETAS:


Heranças de Rebeldia Quilombola!

Quero gritar no meio da Mata,
Quero cantar no meio da praça!
Quero dizer sempre na hora exata
O que meu coração sente forte,
Até chegar o exalar da morte
Que num poeta não é concreto,
Pois a imortalidade em poesia
Faz-me eterno por divina magia.



Com o meu mais ferrenho desejo em verso,
Imprimo, na cega sociedade, minha nobre rebeldia
Herdada de guerreiros quilombolas
Desta terra de índios e negros rebelados;
Pouco citados nas fontes escassas da historiografia.
Sou artista, preciso marcar época e contar.
O que a tradição me repassa, versifico.       
Através da Arte, o brado do meu povo é eterno.



Mas meu verso é justo e aqui concretizo
Os porquês de ser por meu povo bem quisto:
Canto embolada, xote, baião coco de roda,
Aboio, loas de maracatu e reisado.
Faço se possível a maior presepada,
Mas não deixo minhas raízes culturais,
Nem quero nossa História desprezada,
Nem canto modas colonizadoras banais.



Defendo minha terra palmarina com afinco.
Escute com atenção porque eu não minto:
Sou filho da região onde a cana tombou palmeirais
Que inspiraram os negros rebeldes que unidos aos índios,
Lutaram contra os desmandos colonizadores senhoriais.
Assim foi o Quilombo dos Palmares por quase um Século,
Lugar de igualdade e fraternidade, resistência aos ímpios,
República de rebeldes em meio à Colônia de Monarquias.

Os canhões de Domingos Jorge Velho, derrubaram cercas,
Destruíram muros e vidas dos valorosos quilombolas amotinados.
Um grande crime aos Direitos Humanos, incalculáveis perdas
Num genocídio sem igual contra índios, negros e brancos rebelados.
Mas não conseguiram destruir os herdeiros dos negros enfezados,
Nem calar um ideal de liberdade expresso em canções e danças
Das nossas expressões populares, mantenedoras das esperanças
Do nosso povo brincante, na cultura mais diversificada do mundo.

O território conquistado pelos palmarinos,
Desde o Cabo de Santo Agostinho até o Rio São Francisco
Uma República com senso organizacional nunca antes visto.
Após aquele grande genocídio, as terras foram divididas.
Entre os soldados, burgueses e fidalgos, foram distribuídas.
E minha Cidade, sofreu impasses de comandos de coronéis e barões,
Teve nomes diversos, escolhidos pelos gostos de donos dos brasões,
Ao som dos badalos dos beatíficos sinos.

A Família dos Montes adquiriu a sesmaria
e nomeou o lugar com empáfia: Povoado dos Montes,
num jogo de cintura clerical para não milindrar.
E até para o culto da Santa Virgem Maria
Teve que ser a Nossa Senhora da Conceição dos Montes,
Não pelos montes que circundam o lugar,
Mas pela família que ganhou a posse das terras,
Embora a Santa foi cultuada pelos quilombolas.

Há um incidente durante a Revolução Praieira,
Alguns casos engraçados sem eira nem beira,
Da passagem de Pedro Ivo e soldados atolados,
Num lamaçal, onde um corneteiro perdeu uma trombeta.
E o povo rebelde para se ver livre do nome da Família herdeira,
Aproveitou-se do fato e renomeou o povoado de Trombetas.
E sob a inspiração do rio poético, veio o Povoado do Una,
Em pleno surgimento do Clube Literário de marca profunda.

Tem a fase do implante do Escritório da Great Western,
Pelos idos de oitocentos e sessenta e dois, do for all
Entendido por forró pelos matutos cabras da peste.
Aqui ficou implantada a Estação Ferroviária do Una
Que prenunciava um movimento de revolta geral,
Instigada pelos poetas organizados, rebelados, em suma,
Chegando a conseguir o Distrito em oitocentos e sessenta e oito,
Mas os moradores do Vale do Una tinha algo muito mais afoito.

Lideranças queriam mais, e em mil oitocentos e setente e três,
sendo quinze anos antes da Abolição da Escravatura,
o nome proibido dos Palmares foi defendido mais uma vez
e foi criado o Município Autônomo dos Palmares.
Eis que a História é reconquistada com grande ventura.
Mas somente após seis anos de lutas dos escritores,
Aos nove de junho, em mil oitocentos e setente e nove,
Palmares foi Município emancipado, com foros de Cidade.

Em minhas veias circulam heranças de Cultura e Grandeza,
E como cantador e poeta, mato a cobra e mostro o pau,
Me arreto, dou cambalhotas, gingo capoeira e viro a mesa
Mas não arredo o pé do meu lugar, eu luto por minha terra
Como os poetas lutaram pelo nome da Cidade ser honrado
Novamente com o nome batizado pelo africano amotinado
e hoje ser conhecida como a tradicional Terra dos Poetas.
Palmares, eu te amo pelo valor cultural e lutas que encerras.

© Jaorish Gomes Teles da Silva.

11 de agosto de 2007.

* PARA SEMPRE PALMARES (crônica)!

PARA SEMPRE PALMARES!

Adoro esta terra! E é neste pedaço de chão que espero viver o resto dos meus dias e depois aqui, para sempre, repousar meu espírito. Outro dia, transitando pelas ruas, um amigo que eu não via desde a enchente catástrofica que aniquilou nossa querida Palmares, (e graças a esse povo destemido e bravio a cidade foi reerguida) indagou-me: por que você não vai morar em outra cidade? Fui enfático: daqui, não arredo pé! Eu sou da terra dos poetas! E foi nesta cidade que desde cedo aprendi a respeitar e admirar seu povo, sua gente. Homens e mulheres simples, porém, guerreiros, altaneiros em generosidade, arte e rebeldia. Palmares está marcada na história por ser revolucionária e ao mesmo tempo, benévola, complacente. Recordo Ernesto Che Guevara: “ O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimerntos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade”

Palmares das palmeiras imperiais, dos rios Una e Pirangi, que tanto embalaram meus sonhos. Terra de Zumbi, dos poetas; do clube literário, entupido de literatas; da biblioteca pública Fenelon Barreto; do Cine Teatro Apolo; do clube Ferroviário; da estação Ferroviária; do Alto do Inglês; do Cocão do Padre; do Hotel Jaú; do Cinema São Luiz, onde pela primeira vez meus olhos correram as pernas de Brigite Bardot, dos meus namoricos, era a sétima arte, me mostrando os caminhos do mundo. Palmares dos meus antepassados; dos Griz; dos Borbas; dos Oliveira Cavalcantis; terra querida, dos Monteiros da Cruz; de Luiz Ferraz, Jessiva Sabino, dos Mirandas Marques, terra de Juarez Correya, de Afonso Paulo Lins, de Joab e Iolita, de Sr. Virgílio e D. Iraci Palmares dos artistas populares Rabeca, Veludo do pífano, do mestre Teles Júnior na arte de talhar. Dos intelectuais, dos fotográfos, do relojoeiro Zinho dos sapateiros Sotero Salvador e Pacarú. Palmares, das artimanhas de Otacílio e Piruzinho; dos chafarizes; dos banhos de bicas e cachoeiras; da feira livre. Dos bancos das praças, e dos bancos das toldas do mercado público.Do antagonismo ideológico.Palmares dos meus queridos amigos artistas Zé Linaldo, Tonho Oião, Mazinho, Zé Ripe, Marquinhos Cabral. Palmares dos meus irmãos, dos Joãos, dos Josés, das Marias. Palmares dos Cabarés Sorriso da Noite, Aritana, Monte Carlo, Pajuçara.

Em Palmares, muito me apraz, o nome das suas ruas: da Soledade, da Palma, Da Notícia, Bom Destino, Boa Vista, do Jardim, da Aurora, rua Visconde Negro e Engole Homem. E dos engenhos Verde, Goiabeira, Boa Fé, Fanal da Luz.

. E conta-me sempre minha mãe, da minha primeira estripulia: foi esperneando no ventre aquecedor dela, pedindo angustiadamente para ali não nascer, que migramos para o melhor lugar do mundo, sendo pra mim, “a terra prometida”. Não que eu tivesse alguma coisa contra a cidade de Colônia Leopoldina, muito menos seu estado Alagoas. Mas o que eu queria mesmo era ser palmarense, pernambucano! E tanto esperneei que minha mãe concordou e pediu pra que meu pai providenciasse transporte o mais rápido possível. Nada, nenhum transporte. Ninguém de bom senso arriscaria veicular naquela estrada, ocasionalmente, encontrava-se pior que de costume. Alguém terminaria aquela viagem? Perguntava meu pai. Insisti! Esperneei mais forte, minha mãe sentia... Tornou a pedir a meu pai e este já determinado convenceu um outro destemido amigo a romper tal obstáculo. Era um jeep Wilis, ano 58, e cor verde, com pouco tempo de uso.
Aportamos no casarão dos meus avós maternos, localizado na rua Coronel Izácio, 124, faltando poucos minutos para o meio-dia. Tempo suficiente para aprontarem o quarto. Minha mãe já no trabalho de parto, eu impaciente, me contorcendo... Pronto! Era exatamente meio-dia do dia 12 de junho do ano de mil novecentos e sessenta. O sino do velho mercado público, repicou, saudando o mais novo filho desta terra, festejamente com aquelas doze badaladas, chorei de alegria! Nascia naquela cama de madeira escura trabalhada, pesando aproximadamente 3.500 Kg, cabeludo e risonho, falava a parteira Amélia Miranda, ao pegar-me. Ia me esgoelar, quando parei para escutar aquela mulher linda, colocar-me entre os seios, mesmo dorida, a falar para todos que se faziam presentes: “ chama-se Genésio, nosso Genésio. Meu pai concordou imediatamente.

Aqui abro aspas para citar o grande contista poeta e crônista Lêdo Ivo, apesar de ser alagoano, tinha no coração, amor pelo Recife, e que imortalizou-se com seus brilhantes versos, entre eles: “ Amar mulheres, várias. Amar cidades, só uma – Recife”

Amplio este perfil, por amor a esta terra, minha mãe natural. Aqui amo violenta e docemente. E, quando no mais alto cume de ti me encontro, apreciando-te, afagando-te e acaricio por completa. E, ao sentires desnuda, acolhe-me mais fortemente, dando-me a sensação de euforia e prazer.

E foi sob o olhar aprovador de Nossa Senhora da Conceição dos Montes, que desposei Palmares, como minha legítima amante. Declarei esse amor de livre e espontânea vontade e prometendo-lhe amá-la e respeitá-la, e ofereci-lhe como prova deste amor minha poesia, minha alma: “Por certo, um dia, do alto das palmeiras de minha terra, terra do meu refúgio, da minha inspiração, desfoflar-se-ão, e cairam sobre meus escombros, alimentando minha alma e o meu amor por ti! Salve Palmares, para sempre, Palmares!

Crônica escrita pela passagem dos seus cento e trinta e três anos de emancipação política.

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre

BRASÃO DO MUNICÍPIO DOS PALMARES (AUTOR: TELLES JÚNIOR):

O Escudo de Armas do Município dos Palmares foi criado pela Lei Municipal nº 688 de 24 de outubro de 1975.
O Escudo, da autoria do pintor Telles Júnior, é constituído pelo Escudo propriamente dito, ladeado por dois sustentáculos do Escudo, representando os dois chefes da República dos Palmares, Ganga Zumba à sinistra e Zumbi à dextra, como os vigilantes de todo o patrimônio municipal.
O escudo, ornamentado de barras paralelas, alternadamente em blau e branco, representa a Igualdade.
No abismo, um Sol nascendo sobre os montes, iluminando o Rio Una, reflete sobre as águas e sobre os campos a sua força vital, necessária a todo o progresso. Ainda, no coração do escudo, à sinistra, uma cana de açúcar, simbolizando a riqueza do município e da região. À dextra, uma palmeira real, simbolizando a denominação do município. Em contrachefe, fora e abaixo do escudo, um laço em blau, trazendo em ouro a legenda "DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA".
À sinistra do laço a data histórica da criação do município: 24-05-1873. À dextra a data 09-06-1879, lembrando a Emancipação econômica e política dos Palmares.

BANDEIRA DO MUNICÍPIO DOS PALMARES:


A Bandeira do município dos Palmares, idealizada por Luiz Portela de Carvalho, foi hasteada pela primeira vez no dia 13 de outubro de 1963, na inauguração do Palácio do Bambu, atual sede do governo municipal, quando também pela primeira vez, foi cantado o Hino dos Palmares.
O autor da bandeira foi Baltazar da Câmara, pernambucano de Vitória de Santo Antão, que morreu no ano de 1983.

Cores e significados
No pavilhão municipal o azul representa nosso céu, o branco representa a paz, o sol simboliza a liberdade; a faixa azul na parte inferior representa o rio Una e a cana é a nossa principal cultura.

HINO MUNICIPAL DOS PALMARES (Letra: por Milton Souto
Música:Edson Carlos Rodrigues & Nehemias Galdino de Araújo):

Na conjunção dos seus canaviais,
a alma verde da gleba está latente,
como esperança que riqueza traz,
tornando o solo forte e independente.
Engenhos, casas-grandes lá de outrora,
que existem pelos campos em Palmares,
são marcos a lembrar, somente agora,
as tradições de fases seculares.
Palmares é Canção da Natureza,
- Exortou, certa vez, Silva Jardim.-
É terra de cultura e de grandeza,
no mundo não havendo igual assim!
Os seus dois rios – Una e Piranji,
cujas águas deslizam no torrão,
sempre irmanados, passam por aqui,
a decantar Palmares em canção.
É qual Arcádia, sempre rutilante!
Hipócrene feliz das mais diletas.
Por graça lá do céu edificante
nasceu, assim, a Terra dos Poetas!
É nova Atenas. Honra deste estado.
Aponta ao saber lindo cenário.
Reflete eternas luzes do passado,
nas tradições do Clube Literário.
Salve! Este solo glorioso.
- Que tendo história, tem belezas mil.
- Que o Brasil já tornou tão orgulhoso,
por ser a nova Atenas do Brasil!
Palmares é Canção da Natureza,
- Exortou, certa vez, Silva Jardim.-
É terra de cultura e de grandeza,
no mundo não havendo igual assim!

O Hino Municipal dos Palmares, composto da música de Edson Carlos Rodrigues e Nehemias Galdino de Araújo e do poema do escritor Milton Souto, foi oficializado por Ato do Poder Executivo de nº 306 em 03 de outubro de 1963, conforme o Decreto de nº 144, na gestão de Luis Portela de Carvalho.

Ficou instituído pelo Poder Executivo, o dia 13 de outubro dedicado ao Dia do Hino e da Bandeira Municipal, conforme decreto da Câmara Municipal e a Lei sancionada pelo Prefeito do Município.

Será de uso obrigatório o cântico do Hino Municipal nos dias dedicados ao Hino e Bandeira Municipal e Emancipação Política do Município.
Será de uso facultativo a sua execução ou cântico na abertura de sessões cívicas, nas cerimônias religiosas a que se associe sentido patriótico, no início ou encerramento de transmissões radiofônicas, bem assim para exprimir regozijo público em ocasiões festivas.
Será de uso obrigatório o cântico do Hino Municipal em um dia da semana, nas escolas pertencentes à rede municipal de ensino.


terça-feira, 8 de maio de 2012

* 9 de Maio aniversário do poeta Ascenso Ferreira!

FELIZ ANIVERSÁRIO ASCENSO FERREIRA!
Poeta pernambucano, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu na cidade de Palmares no ano de 1895.
Dizem que começou a atividade literária enganado, compondo sonetos, baladas e madrigais.
Depois da "Semana de Arte Moderna" e sob a influência de Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira e de Mário de Andrade, tomou rumos novos e achou um caminho que o conduziria a uma situação de relevo nas letras pernambucanas e nacionais.
Voltou-se para os temas regionais de sua terra que foram reunidos em seus livros "Catimbó" (1927), "Cana caiana" (1939), "Poemas 1922-1951" (1951), "Poemas 1922-1953" (1953), "Catimbó e outros poemas" (1963), "Poemas" (1981) e "Eu voltarei ao sol da primavera" (1985). Foram publicados postumamente, em 1986, "O Maracatu", "Presépios e Pastoris" e "O Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos", em livro organizado por Roberto Benjamin.
Distingue-se não pela quantidade, mas pela qualidade, atingindo não raro efeitos novos, originais, imprevistos, em matéria de humorismo e sátira.
O poeta faleceu na cidade do Recife (PE), em 1965.
Poema publicado em "Catimbó e Outros Poemas", Editora José Olympio - Rio de Janeiro, 1963, foi extraído do livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 83, organizada por Ítalo Moriconi.
Fonte: releituras
Ascenso Ferreira




"OS POEMAS DE ASCENSO FERREIRA SÃO VERDADEIRAS RAPSÓDIAS DO NORDESTE"

Na certidão de nascimento, o nome do poeta está grafado como Ascenso Ferreira Carneiro Gonçalves, mas foi como Ascenso que ele se tornou nacionalmente conhecido.

Nascido no município de Palmares, zona da Mata de Pernambuco, a 9 de maio de 1895, filho único do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira.

Órfão aos 13 anos de idade, passa a trabalhar na mercearia de um tio.

Em 1911, publica no jornal A Notícia de Palmares, o seu primeiro poema, "Flor Fenecida".

Em 1917 fundou, com Antonio de Barros Carvalho, Antonio Freire e Artur Griz, entre outros, a sociedade Hora Literária de Palmares.

Em 1922 tornou-se colaborador nos jornais recifenses Diário de Pernambuco e A Província. Dois anos depois, passou a escrever para os periódicos Mauricéia, Revista do Norte, Revista de Pernambuco, A Pilhéria, Revista da Cidade e Revista de Antropofagia.

Em 1925, participa do Movimento Modernista de Pernambuco.
Participou, em 1926, no Recife, do I Congresso Regionalista do Nordeste.

Em 1927, publica seu primeiro livro, "Catimbó". Viaja a vários estados brasileiros para promover recitais.

Em 1934, participa do Congresso Afro-Brasileiro realizado em Recife.

Na década de 1940 realizou conferências e estudos sobre divertimentos populares do Nordeste.

Em 1941, publica o seu segundo livro ("Cana Caiana").

O terceiro livro ("Xenhenhém") está pronto para ser editado, mas só sairia em 1951, incorporado à edição de "Poemas", que foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando disco de poesias recitadas pelo seu autor - a edição continha, ainda, o poema "O Trem de Alagoas", musicado por Villa Lobos.

Em 1955, participa ativamente da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek, inclusive participando de comícios no Rio de Janeiro.

Em 1956, é nomeado por JK para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife, mas a nomeação é cancelada dez dias depois, porque um grupo de intelectuais recifenses não aceita que o poeta e boêmio irreverente assuma o cargo.

É nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e cultura, onde só comparecia para receber o salário.

Em 1963, a Editora José Olympio (RJ) lança "Catimbó e Outros Poemas".

Foram publicados postumamente, em 1986, O Maracatu, Presépios e Pastoris e O Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos, em livro organizado por Roberto Benjamin.

A 5 de maio de 1965, morre, no Recife.

Usava sempre um grande chapéu de palha, que era uma verdadeira logomarca.

A poesia de Ascenso Ferreira filia-se à primeira geração do Modernismo. Para Manuel Bandeira, "os poemas de Ascenso são verdadeiras rapsódias do Nordeste."

Cronologia

1895 - Nascimento do poeta em Palmares (Pernambuco), a 9 de maio. Filho da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira e do comerciante Antonio Carneiro Torres.

1906/1907 - Curso primário feito em Palmares, onde passou quase toda a infância. Foi menino endiabrado e resistente à cartilha da Professora Maria Luísa, sua mãe.

1908/1910 - Emprego na casa do padrinho Joaquim Ribeiro, armazém "fora de portas", e primeiros contatos com boiadeiros, tangerinos, almocreves, a massa rural, enfim, cujos aspectos de vida se tornariam depois o tema mais forte de sua poesia.

1911 - Agitação política em Pernambuco. Dantas Barreto vem alijar o rosismo e Ascenso fica com os "marretas", designação dos rosistas, numa atitude de gratidão a Gonçalves Ferreira. Ano também da publicação do seu primeiro trabalho literário "Flor Fenecida".

1912/1913 - Primeiros sonetos parnasianos. Divulgação, na imprensa de Palmares e do Recife, de alguns desses sonetos e ainda baladas e madrigais.

1914 - Soneto "Pela Paz" que mereceu referências elogiosas da imprensa e carta do Min. Oliveira Lima.

1915 - Emprego na Prefeitura de Palmares.

1916 - Fundação de uma sociedade literária, com Barros de Carvalho, Fenelon Barreto, Barros Lima, Antônio Freire, Artur Griz e Carlos Rios.

1919 - Vinda para o Recife, a fim de fazer concurso para o Tesouro do Estado.

1921 - Casamento com Maria Stela, a bonita filha do "coronel" Griz, do Tesouro do Estado.

1922 - Conhecimento com Souza Barros na Academia de Comércio. Publicação do soneto "Adeus", "Eu voltarei ao Sol da Primavera". Primeiros encontros com Osório Borba e Benedito Monteiro no "cenáculo" da Lafaiete.

1923/1924 - Encontro com Joaquim Cardozo que, com Benedito Monteiro e Câmara Cascudo, teriam influência na orientação moderna do poeta. Aproximação com Gouveia de Barros e Aníbal Fernandes. Passagem de Guilherme de Almeida pelo Recife, que aprecia os seus trabalhos e o incentiva. Publicação de "Salomé", que o grupo de Joaquim Inojosa aceitou como modernista, mas que ainda era, no entanto, romantismo puro. Declama pela primeira vez, na Faculdade de Direito, poemas modernos.

1926 - Contatos com o Grupo Modernista de Joaquim Inojosa e com o Grupo Independente da Revista do Norte.

1927 - Publicação de Catimbó, pelo Grupo da Revista do Norte, com ilustração de Joaquim Cardozo. Ida de Manuel Bandeira ao Recife, onde travou largos contatos com o poeta.

1928 - Aproximação com Mário de Andrade.

1929 - Primeira viagem ao Rio e São Paulo. Segunda edição de Catimbó.

1930 - Mário de Andrade volta ao Recife, sendo hóspede de Ascenso.

1931 - Reencontro com Luiz Luna, que andou com o poeta por bares e pensões do velho Recife.

1934 - Participação no Congresso Afro-Brasileiro.

1939 - Publicação de Cana Caiana.

1942 - Trabalhos e pesquisas folclóricas estimulados por Souza Barros, para a revista Arquivos, da Prefeitura do Recife.

1946 - Terceira viagem ao Sul, com Lula Cardoso Ayres.

1947/1950 - Alguns poemas novos, refletindo aspectos da Segunda Guerra.

1948 - Nascimento de Maria Luíza, filha do poeta.

1951 - Edição de luxo dos poemas da fase modernista organizada por Souza Barros e incluindo Catimbó, Cana Caiana e Xenhenhém (prefácio de Manuel Bandeira).

1953/1954 - Aparecimento da edição popular (período 1922-1953), também organizada por Souza Barros.

1955 - Publicação (por Souza Barros) do poema "O Poeta Anormal", em folhas soltas. Participação no Congresso de Escritores em Goiânia, onde fez amizade com o poeta Pablo Neruda.
Participa da campanha presidencial de Juscelino Kubitscheck, de quem era amigo particular.

1959 - Publicação do poema "Papai-Noel".

1963 - Edição das Obras Completas, pela Jose Olympio Editora.

1964 - Agrava-se o estado de saúde do poeta, que leva a vida entre o hospital e os cuidados da família.

1965 - Morte do poeta, em 5 de maio.



Um dos poemas mais famosos de Ascenso Ferreira é "Trem de Alagoas". Veja o vídeo com interpretação musical de Inezita Barroso:



TREM DE ALAGOAS

O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar...

Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar. — Adeus! — Adeus!

Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar... — Adeus morena do cabelo cacheado!

(...)

Na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar: — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...

Meu Deus! Já deixamos
a praia tão longe...
No entanto avistamos
bem perto outro mar...

Danou-se! Se move,
se arqueia, faz onda...
Que nada! É um partido
já bom de cortar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...

Cana caiana,
cana roxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar... — Adeus morena do cabelo cacheado! — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...

ASCENSO FERREIRA

No Programa de Jô Soares, Alceu Valença interpretou o poema OROPA FRANÇA E BAHIA:




OROPA, FRANÇA E BAHIA


(Romance) Para os 3 Manuéis: Manuel Bandeira Manuel de Sousa Barros Manuel Gomes Maranhão


Num sobrado arruinado,
tristonho, mal assombrado,
que dava pros fundos da terra.
("Pra ver marujos,
Tirulilluliu!
quando vão pra guerra...")
E dava fundos pro mar.
("Pra ver marujos,
Tiruliluliu!
ao desembarcar"). ...Morava Manuel Furtado português apatacado, com Maria de Alencar!


Maria era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar... A vida de Manuel, que louco alguém o dizia, era vigiar das janelas toda a noite e todo o dia, as naus que ao longe passavam, de "Oropa, França e Bahia"!


- Me dá¡ uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
- Estás idiota, Maria.
Essas naus foram vintena
que eu herdei de minha tia!
por todo o ouro do mundo
eu jamais as trocaria! Dou-te tudo o que quiseres: Dou-te xale de Tonquim! Dou-te uma saia bordada! Dou-te leques de marfim! Queijos da Serra da Estrela, perfumes de benjoim...


Nada.
A mulata só queria
que Seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a amais pichititinha,
pra ela ir ver essas terras
de "Oropa, França e Bahia"... - Ó Maria, hoje nós temos vinhos da Quinta do Aguirre, umas queijadas de Sintra, só pra tu te distraíre desse pensamento ruim... - Seu Manuel, isso é besteira! Eu prefiro macaxeira com galinha de oxinxim!


"Ó lua que alumiais
esse mundo do meu Deus
alumia a mim também
que ando fora dos meus..."
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus. "Eu sou mulata dengosa, linda, faceira, mimosa, qual outras brancas não são"... Cantava forte Maria, pisando fubá¡ de milho, lentamente no pilão...


Uma noite de luar
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul...
- Ah, Seu Manuel, isto chega...
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul. - "Onde vais mulhé?" - "Vou me daná¡ no carrossé! - "Tu não vais, mulhé, mulhé, você não vai lá..."


Maria atirou-se n'água,
Seu Manuel seguiu atrás...
- Quero a mais pichititinha!
- Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido de minha tia!
Vêm dos confins do mundo...
De "Oropa, França e Bahia"! Nadavam de mar em fora... (Manuel atrás de Maria!) Passou-se uma hora, outra hora, e as naus nenhum atingia... Fez-se um silêncio nas àguas, cadê Manuel e Maria?!


De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia...
Seu Manuel era um "Boi Morto",
Maria, uma "Cotovia"! E as naus de Manuel Furtado, herança de sua tia?


- Continuam mar em fora,
navegando noite e dia...
Caminham para "Pasárgada",
para o reino da Poesia!
Herdou-as Manuel Bandeira,
que ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia! - As eternas Naus do Sonho, de "Oropa, França e Bahia"...

(Ascenso Ferreira)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

* E cadê as mulheres como cabeças de chapas das eleições municipais?

Tantos reboliços pré eleitoreiros, tantas disputas por espaços de candidaturas e não se ver mais mulheres concorrendo. Não sei o motivo disso, pois o Brasil é cada vez mais feminino, revela estatística. Veja o que encontrei no blog de Fernando Rodrigues:
"Artigo publicado na última edição da revista “Campaigns & Elections” afirma que o eleitorado feminino será “determinante” na eleição para prefeitos deste ano. Um dos motivos é que as mulheres têm “relação próxima com os temas da cidade”, enquanto os homens teriam mais afinidade com “temas macro”.
Outro motivo é a vantagem numérica. Ao passo que o voto feminino completou 80 anos no Brasil em 2012, as mulheres também se tornaram a maioria do eleitorado. São 71,6 milhões (52% dos eleitores) contra 66,1 milhões de homens eleitores (48%), segundo os dados mais atuais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes a marco de 2012.
Apesar disso, as mulheres ainda estão longe de ser maioria dos políticos com mandato no país. No mesmo nº da revista, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) observa que “as mulheres são 52% do eleitorado brasileiro, mas as deputadas federais apenas 9% da Câmara, as senadoras 10% e as deputadas estaduais, em média, têm presença de 12% nas Assembleias Legislativas”.
Diante do quadro de minorias de mulheres nos Poderes Legislativos, acho que o Movimento Feminista está frágil e maioria das mulheres não se importam com as lutas de igualdade de gênero ou de tomada do poder em prol de um matriarcalismo! 
Diante do número de mulheres eleitoras, será que as mulheres não poderiam ser maioria numa Câmara de Vereadores nessas eleições municipais de 2012?
E o que mais me deixa abismado é que pouco se houve falar em nomes femininos para canidaturas ao cargo de Prefeito (prefeita). Em Palmares (PE), por exemplo, não se fala em nome de uma mulher para prefeita, algo que mudaria o quadro político atual, pois como no território nacional, em nosso Município maioria dos eleitores são do sexo feminino.
Será que as mulheres votariam numa mulher para Prefeita? (ninguém questionou se homens prefeririam votar em mulheres, quando as mulheres não podiam votar nem se candidatar e hoje elas podem e são maioria).
Se tomarmos como base as eleições de 2008 em Palmares, constataremos que mulher não vota em mulher porque senão, diante da maioria feminina entre o eleitorado, atualmente o nosso Poder Legislativo seria maioria de mulheres (atualmente temos 6 Vereadores e 4 Vereadoras). Creio chegar oportunidade agora na eleição de 2012 as mulheres mostrar força e decidir principalmente sobre as necessárias mudanças políticas que todos os cidadãos anseiam!



domingo, 22 de abril de 2012

* CARTA DA TERRA

21 DE ABRIL É O DIA DA TERRA. PRESERVEMOS NOSSA NAVE MÃE!

EIS AQUI A CARTA DA TERRA:
A Carta da Terra inspira-se em uma variedade de fontes, incluindo a ecologia e outras ciências contemporâneas, as tradições religiosas e as filosóficas do mundo, a literatura sobre ética global, o meio ambiente e o desenvolvimento, a experiência prática dos povos que vivem de maneira sustentada, além das declarações e dos tratados intergovemamentais e não-governamentais relevantes.

O texto da Carta da Terra

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.




Em 1854, o presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, enviou uma carta ao cacique, Noah Sealth da tribo Duwamish, mais conhecido como Chefe Seattle, onde manifestava o interesse de adquirir a terra onde viviam aqueles índios.
Essa foi a resposta do Chefe Seattle:
"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

..... continua, extraído do site:

 


quinta-feira, 19 de abril de 2012

* HOMENAGEM AOS ÍNDIOS!


 
O índio chorou


(inspirado nas lágrimas derramadas provocadas em todos seres humanos sensíveis ao saber da liberação da Presidente Dilma para a construção da barragem de Belo Monte).

Os rios que choram
Derramam lágrimas dos olhos das matas
Que vertem canto tristonho das fadas
Irritação de venenos de humanos desumanos
Mas o progresso com seus afazeres insanos
Não dão margem para o livre soluçar
Dos rios que choram.

Os rios que choram
Antecipando aprisionamento das águas
Inundando criminosamente belos miomas
Reagem cachoeiras de lágrimas tristonhas
Na face de um índio não encontra represa
E a cada face que por tal crime deságuam lágrimas
Muito mais rolarão águas das faces dos algozes
Pois quem da natura saqueia direitos ferozes
Terão cobrados triplos sofreres pela eternidade
As forças naturais reagirão e cobrarão
E os arrependimentos serão tardios
Pelos rios que choram



Obs.: Eu me inspirei numa foto divulgada na internet. Mas o valoroso Cacique Raoni divulgou uma carta dizendo que não chorou, mas quem vai chorar será a Presidente Dilma. Respeitando o posicionamento dele, retirei o oferecimento do poema direcionado à foto. Mas fica o oferecimento às lágrimas de crianças e índias e todos os lutadores em prol da biodiversidade e contra esse projeto genocida. (Jaorish). Eis a carta:



Um Índio falou na mata



Eu fui na mata
Eu corri na mata
Bom ir na mata
Sem ter na mão a arma que mata
E ser acolhido pelo canto de fada
E aparecer um índio cantando
Um canto de prece acolhedor
Para o nosso Belo Santo Senhor.

E assim ao chegar na mata
Ao sentir meu amor pela Natureza
Ao me ver meditando na clareira
Da mata acolhedora entre as árvores
Um índio me falou em cânticos de elevada prece.
Foi canto triste que os pássaros calaram
Foi um canto melancólico que aos puros enternece
Ele falou sobre a tristeza da alma da mata
Ele contou sobre as lágrimas do Criador
Pela falta desumana e todo o desamor,
E me pediu para divulgar pelo mundo seus lamentosos clamores:
“Coloquem a Criação acima de todos os teus ilusórios amores!
Amem os irmãos pássaros e não depredem as matas!
Amem os irmãos animais e não destruam seus lares!
Amem as flores e frutos e não se alimentem dos irmãos animais!
Amem a Vida nos irmãos como amam suas próprias vidas!
E com a força de todos as boas ações e sensações sentidas
Preservem a Vida da Natureza com a força de auto preservação.
Dêem espaços para as flores e árvores nas suas florestas de concreto.
Qualquer espaço é lugar de um sorriso de flor, em cada canto da casa,
No peitoral da janela, no telhado da casa, e em qualquer calçada.”

E enquanto o índio assim falou
Lágrimas denunciaram que chorou
Mas ele não se envergonhou
De defender a Mãe Terra que agoniza
E no clarear da Luz que a todos diviniza
O Índio se foi enquanto as árvores cantavam
“Vai, leva nosso clamor em cânticos poéticos
E tenta implantar nos corações humanos
O Amor Incondicional que salvará esta Terra”.
E acordei deste sonho revelador iluminado
E hoje o Índio ainda brinca à minha janela
Sempre visto em minha Divinal Estrela.



Índios não são sem educação e não são irracionais. De que vale toda a dita "educação do civilizado" quando depreda matas e envenena o meio ambiente com os tóxicos do chamado progresso das cidades?
Eis aqui um exemplo da Ética Ecológica indígena que ultrapassam tempos dos Séculos:
A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."



sábado, 14 de abril de 2012

* Tarde de Sábado com o cantor compositor Zé Linaldo!

O cantor Zé Linaldo anunciando que Sábado, 14 de Abril, às 14h. fará show no Restaurante Terra Mar que fica ao lado da Rádio Cultura dos Palmares, atrás da FAMASUL, em Palmares - PE.
Uma tarde de MPB, POP, REGIONAL!
O restaurante possui uma vista privilegiada dos canaviais e da cidade. Ambiente arejado, ótimo cardápio de frutos do mar além de diversos outros pratos, inclusive de carnes nobres. Cervejas geladas de verdade e ótimo atendimento sob o comando de Júnior. e Nícia.
Lugar bonito! Atualmente o melhor espaço para uma alimentação sadia e boa diversão, em Palmares - PE!
Não há vendas de mesas, será cobrado um couvert simbólico.