UBE festeja 56º aniversário. Esta no ar A VOZ DO ESCRITOR. O endereço éhttp://www.ube.br.com/
CONVITE
O presidente da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES-UBE, escritor Alexandre Santos, tem o prazer de convidar Vossa Senhoria e família, para a comemoração do 56º aniversário de fundação da UBE. Na ocasião a congregação da Ordem do MéritoLiterário JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO, se reunirá para admitir o escritor LÚCIO ROBERTO FERREIRA nos quadros da congregação.
Local – Sede da UBE, Rua Santana nº 202, Casa Forte, Recife Data – 27 de fevereiro de 2014 Horário – das 19 às 21 horas
O ensaísta, filósofo, tradutor, diplomata e Acadêmico Sergio Paulo Rouanet fará a palestra de abertura do ciclo “Caminhos da crítica”, sob coordenação do Acadêmico e poeta Ivan Junqueira, denominada “Caminhos e descaminhos da crítica psicanalítica sobre Machado de Assis”. O evento está programado para terça-feira, dia 11 de março, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca. O ciclo terá mais duas conferências: dia 18, “A crítica literária e seus descontentes”, com o professor João Cezar de Castro Rocha; e dia 25, “Leitura de Infância, de Graciliano Ramos”, com o Acadêmico Alfredo Bosi.
O Coordenador geral dos ciclos deste ano é o Acadêmico Antonio Carlos Secchin, Primeiro-Secretário da ABL.
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O palestrante
Sergio Paulo Rouanet é o oitavo ocupante da Cadeira nº 13 da ABL, eleito em 23 de abril de 1992. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-RJ, fez o curso de preparação à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, do Itamarati.
Fez cursos de pós-graduação em economia, ciências políticas e filosofia respectivamente na George Washington University, na Georgetown University e na New School for Social Research.
Doutor em Ciência Política pela USP. Foi chefe da Divisão de Política Comercial e do Departamento da Ásia e Oceania, em Brasília. Ocupou postos em Washington, Nova York e Genebra. Foi cônsul geral em Zurique e Berlim, embaixador do Brasil na Dinamarca e na República Tcheca.
Foi secretário de Cultura da Presidência da República no governo de Fernando Collor. Colaborou em vários jornais inclusive no Jornal do Brasil e na Folha de S. Paulo. Fundou o Instituto Cultural Brasileiro da Alemanha, ICBRA.
Prêmios
Medalha Goethe recebida em Weimer, Alemanha.
Finalista do prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro por Os Dez Amigos de Freud.
Bibliografia
- Imaginário e dominação
- Édipo e o anjo: itinerários freudianos em Walter Benjamin
- Teoria crítica e psicanálise
- A razão cativa: as ilusões da consciência de Platão a Freud
- As razões do Iluminismo
- O Espectador Noturno: a Revolução Francesa através de Rétif de la Bretonne
- Mal-estar na modernidade: ensaios
- A razão nômade: Walter Benjamin e outros viajantes
- Interrogações
- Idéias: da cultura global à universal
- Os dez amigos de Freud
- A latinidade como paradoxo
- Riso e melancolia
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo I (1860-1869). ABL - 2008
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo II (1870 – 1889) ABL - 2009
- Correspondência de Machado de Assis - Tomo III ABL – (1890-1900) - ABL - 2010
Abertura da série ‘Música de Câmara na ABL’ de 2014 apresenta o espetáculo ‘Do outro lado do carnaval II’
A Academia Brasileira de Letras apresenta, em sua série “Música de Câmara” de 2014, coordenada pelo Acadêmico Marco Lucchesi, o espetáculo “Do outro lado do carnaval II”, dividido em dois momentos: “Música francesa inspirada no carnaval” e “O carnaval dos clássicos brasileiros”. O concerto está programado para o dia 13 de março, quinta-feira, às 18 horas, no Teatro R. Magalhães Jr., na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo. Entrada franca.
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Programa
I
Música francesa inspirada no Carnaval
C. Saint-Saëns - O Carnaval dos Animais - Duo Pianístico da UFRJ: Maria Helena de Andrade e Sonia Vieira (quatro mãos)
II
O carnaval dos clássicos brasileiros
Ronaldo Miranda – Frevo* - Duo Pianístico da UFRJ: Maria Helena de Andrade e Sonia Vieira (quatro mãos)
Edmundo Villani-Cortes – Impressões de uma marcha rancho** - Trio D’Ambrosio: Ayran Nicodemo (violino), Maria
Célia Machado (harpa) e Maria Helena de Andrade (piano)
Edino Krieger – Prelúdio e Fuga (marcha-rancho)
O. Lorenzo Fernandez – Jongo – Maria Teresa Madeira (piano)
Heitor Villa-Lobos – Samba Clássico
Francisco Mignone – Quizomba (do Maracatu do Chico Rei) – Maria Teresa Madeira (piano) e Inácio de Nonno (barítono)
Chiquinha Gonzaga – Ô Abre Alas – Maria Teresa Madeira (piano)
*Dedicada ao Duo Pianístico da UFRJ
**Dedicada ao Trio d’Ambrosio
“Mais uma vez estou de volta às manchetes dos humanos. E como de costume, as notícias sobre a minha reputação são as mais trágicas e pavorosas possíveis. Achincalham-me como se eu fosse a mais terrível das criaturas. Colocam-me mais uma vez contra a parede me acusando das mais dantescas ações. Acusam-me injustamente de estar destruindo vidas, lares, plantações, construções e tantas outras coisas de vocês, pobres sofredores. O problema é que sempre fui injustiçado e incompreendido. Desde as confluências de inúmeros outros meus irmãos andinos, venho há milhões de anos, regando a vida e distribuindo riquezas por onde passo. Ainda em formação, sou muito jovem e sempre fui tranquilo e quieto por onde cotidianamente passo. Sou sinônimo de vida, prosperidade e abundância e jamais em minha existência decepcionei alguém.”
“Não, não estou fazendo mal nenhum a ninguém, pois isto não faz nem nunca fez parte de minha pacífica índole. Esta atual enchente é apenas o reflexo do que fizeram comigo sem a minha permissão. Estou devolvendo aos humanos o que dos próprios homens recebi. Por pura ambição e ganância, vocês rasgaram e dilaceraram meu corpo com duas malditas usinas hidrelétricas nas terras de Rondon. Com pouco ou nenhum conhecimento, alteraram a minha geografia e comprometeram para sempre a minha identidade. São muito hipócritas ou tolos se achavam que eu não reagiria. A montante, por incompetência ou esperteza, seus engenheiros não construíram estradas elevadas o suficiente para se livrar de minhas águas represadas. A jusante, esconderam de todos que me assorearam e por isso minhas águas se esparramam sem controle.”
“Vocês, malditos humanos, é que são maus. A troco de migalhas, alteraram meu curso, explodiram bombas em meu leito, estraçalharam minhas pedras e mataram meus peixes. Depois, roubaram meu ouro, meus metais, minha madeira e toda a minha riqueza. Vocês próprios enganam uns aos outros sem o menor descaramento. Cadê a transposição que lhes prometeram como cala-boca? Cadê a tão propalada isonomia? Vão é devolver o que já receberam. Cadê, enfim, a limpeza desta imunda cidade que vocês habitam? Todo dia, sem ganhar nada em troca, levo toneladas do seu pútrido lixo. Por isso, nem deixei o cimento de suas usinas secar e lhes dei o troco. Não destruí as peças de seus museus. Foi sua própria incompetência que o fez. Podia, se quisesse, levar suas urnas eletrônicas, mas deixei-as para que possam votar e com isso sofrer mais.”
“Nada tenho contra o seu Carnaval nem suas bandas e blocos. Divirtam-se, pulem, ganhem muito dinheiro, coloquem sua alegria na avenida, droguem-se e bebam todas. Aliás, levar vantagem com a miséria e a desgraça alheias sempre foi a sua marca maior. Não ligue para seus irmãos alagados em Calama, São Carlos, Nazaré, Abunã e mesmo em Porto Velho. Eles são pobres e na sua hipócrita sociedade, o que vale um pobre? Dê-lhes um mísero quilo de alimento estragado e fique com a consciência em paz, já que é muito difícil rondoniense gostar de rondoniense. Carnaval é cultura, mano. E tem coisa mais importante e cultural do que beber pinga e pular no meio da rua? Mas, por favor, não me olhem mais com esse olhar atravessado nem me culpem pelas suas mazelas. Seus infortúnios podem estar dentro de vocês mesmos. E eu nada tenho a ver com isso. Precisava apenas de respeito e nunca recebi isto dos senhores.”
"Para mudar o mundo, os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real"- Zygmunt Bauman
Esta semana (16), o Fronteiras do Pensamento divulgou uma fala de Edgar Morin em que o filósofo francês argumenta que estamos vivendo o fim do futuro. Para Morin, a sociedade percebeu a ambivalência da ciência, da razão, da técnica e da economia e perdeu a crença nestes enquanto guias da humanidade: "A crise do futuro, a crise do progresso. A perda do futuro é muito grave porque, quando se perde a esperança no futuro surge uma sensação de angústia e de neurose", afirma Morin.
A revista Época publicou, também esta semana (19), uma entrevista exclusiva com o filósofo polonês Zygmunt Bauman. Na conversa com o editor de cultura da Época, Luís Antônio Giron, Bauman, considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da civilização, fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos.
As instituições políticas perderam representatividade porque sofrem com um “deficit perpétuo de poder”. Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e patrocinar a cultura e as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre os líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. Leia a entrevista abaixo ou confira no site da Época. Ao final do texto, acrescentamos a entrevista exclusiva que Bauman concedeu a Fernando Schüler e Mário Mazzilli, na Inglaterra, para o Fronteiras do Pensamento.
Entrevista Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro"
por Luís Antônio Giron para Época (19/02/2014)
Época: De acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a fé em nós mesmos? Zygmunt Bauman: Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior), podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá.
Época: Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora? Zygmunt Bauman: A decadência da política é causada e reforçada pela crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos desafios postulados pela contínua globalização de nossa interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da política que sofre o deficit perpétuo do poder. Daí a crise de confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação, apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva.
Época: As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma sociedade em rede? Zygmunt Bauman: Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet.
Época: Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história? Zygmunt Bauman: Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.
Época: Como o senhor vê a nova onda de protestos na Europa, no Oriente Médio, nos Estados Unidos e na América Latina, que aumentou nos últimos anos? Zygmunt Bauman: Se Marx e Engels escrevessem o Manifesto Comunista hoje, teriam de substituir a célebre frase inicial – “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo” – pela seguinte: “Um espectro ronda o planeta – o espectro da indignação”. Esse novo espectro comprova a novidade de nossa situação em relação ao ano de 1848, quando Marx e Engels publicaram o Manifesto. Faltam-nos precedentes históricos para aprender com os protestos de massa e seguir adiante. Ainda estamos tateando no escuro.
Época: O senhor afirma que as elites adotaram uma atitude de máximo de tolerância com o mínimo de seletividade. Qual a razão dessa atitude? Zygmunt Bauman: Em relação ao domínio das escolhas culturais, a resposta é que não há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das ofertas culturais disponíveis. Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às ambições passadas, de empreender uma missão iluminadora da cultura. A elite deixou de ser o mecenas da cultura. Hoje, as elites medem sua superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo.
Época: Essa diluição dos valores explica por que artistas como Damian Hirst e Jeff Koons buscam mais fama do que reconhecimento artístico? Zygmunt Bauman: Prefiro não generalizar sobre esse tema. Os artistas, suas performances e produtos são hoje em dia muitos e diferentes, e os veredictos apressados são equivocados. Pessoalmente, detesto e me aborreço com os Damiens Hirsts, Jeff Koons e similares. Mas eles são ostensivamente sustentados pelas correntes e modas guiadas pelo mercado. Os mercados usurparam o mecenato das artes das igrejas e dos Estados. Por isso, o meio é realmente a mensagem da arte contemporânea.
Época: Como diz o crítico George Steiner, os produtos culturais hoje visam ao máximo impacto e à obsolescência instantânea. Há uma saída para salvar a arte como uma experiência humana importante? Zygmunt Bauman: Bem, esses produtos se comportam como o resto do mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos consumidores. Uma vez que a busca pelo lucro continua a ser o motor mais importante da economia, há pouca oportunidade para que os objetos de arte cessem de obedecer à sentença de Steiner...
Época: O senhor diz que a cultura se tornou dependente da moda. Por que isso ocorre? Zygmunt Bauman: Modas vêm e vão e são tão velhas quanto a cultura, tão antigas quanto o homo sapiens... O que a fez tão espetacularmente presente em nossa vida diária é o impacto combinado da comunicação digital em tempo real e da produção em massa com a associação entre butiques de alta-costura e grandes redes de lojas. As manifestações culturais e artísticas são arrastadas pelo motor da moda.
Época: A moda pode dar sentido à vida das pessoas? Zygmunt Bauman: A moda tem seus usos e uma demanda enorme e crescente. Ela fornece um modelo para a constante troca de identidades de nosso mundo. Funciona também como antídoto contra o horror de falhar num mundo em alta velocidade e contra o resultante abandono e degradação social. Não há nada de inútil na moda. Pelo contrário, é uma necessidade num mundo de flutuação e desorientação.
Época: Seus livros parecem pessimistas, talvez porque abram demais os olhos dos leitores. O senhor é pessimista? Ou busca a alegria de alguma forma, apesar de todos os problemas? Zygmunt Bauman: A meu ver, os otimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas podem estar certos... Mas acredito que essa classificação binária de atitudes não é exaustiva. Existe uma terceira categoria: pessoas com esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria. De outra forma, não veria sentido em falar e escrever...
___________________________________ Diálogos com Zygmunt Bauman: democracia, laços sociais, comunidade, rede, pós-modernidade e outros tópicos são analisados por Bauman em entrevista exclusiva concedida a Fernando Schüler e Mário Mazzilli